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Hormônio ligado ao apetite também protege o fígado, aponta estudo

Por Ravenna Alves
Getty Images

Um hormônio já associado ao controle do apetite e à perda de peso pode ter um papel direto na proteção do fígado. Pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, identificaram que o GDF15 atua na redução da inflamação hepática mesmo quando não há emagrecimento, segundo estudo publicado na revista Cell Metabolism em 10 de agosto.

A descoberta muda a forma como esse hormônio vinha sendo interpretado até agora, já que os efeitos benéficos eram atribuídos principalmente à perda de peso. Os novos dados indicam que ele também age por uma via própria, ligada ao controle da inflamação no fígado.

Como o hormônio atua no organismo

Para entender o mecanismo, os pesquisadores usaram modelos de camundongos com uma forma avançada de doença hepática gordurosa. A análise mostrou que o GDF15 ativa um sinal que começa no cérebro e segue pelo sistema nervoso até o fígado.

Esse processo leva à liberação de glicocorticoides, hormônios que ajudam a regular a resposta do organismo ao estresse e à inflamação. Com isso, há redução da atividade inflamatória no fígado e menor formação de tecido cicatricial.

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Os efeitos foram observados sem mudanças no consumo de alimentos, no peso corporal ou na quantidade de gordura acumulada no órgão, o que indica que o mecanismo funciona de forma independente do emagrecimento.

Ligação com doença hepática avançada

A inflamação persistente é um dos principais fatores por trás da progressão da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, condição que pode evoluir para cirrose e câncer de fígado. Mesmo com a perda de peso, esse processo nem sempre é totalmente controlado.

Os resultados sugerem que atuar diretamente na inflamação pode ser uma estratégia complementar aos tratamentos atuais. Em vez de focar apenas na redução de peso, a abordagem passa a considerar também os sinais biológicos que mantêm a doença ativa.

Pesquisas anteriores da mesma equipe já haviam mostrado que o GDF15 ajuda o corpo a manter o gasto energético durante o emagrecimento. Agora, o novo estudo aponta uma função diferente, ligada à proteção do fígado.

Próximos passos

Os achados ainda são baseados em modelos experimentais, e estudos em humanos serão necessários para confirmar se o mesmo efeito ocorre em pacientes. Ainda assim, os dados ajudam a direcionar o desenvolvimento de terapias que combinem controle de peso com redução da inflamação hepática.

A proposta é usar esse conhecimento para desenhar tratamentos mais específicos, voltados não apenas ao acúmulo de gordura no fígado, mas também aos mecanismos que sustentam a lesão ao longo do tempo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.