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Houthis e Arábia Saudita abrem nova frente em guerra no Oriente Médio

Por Junio Silva
Mohammed Hamoud/Getty Images

O anúncio dos Houthis de um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita aumentou a crise no Oriente Médio, e abriu, indiretamente, uma nova frente de batalha na região, que já convive com guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Ao anunciar a medida, na manhã de segunda-feira (20/7), o porta-voz do grupo iemenita afirmou que a decisão era uma resposta direta ao cerco saudita contra o Iêmen.

“As Forças Armadas do Iêmen [Houthis] declaram um embargo marítimo contra o inimigo saudita, criminoso, com base na equação de “olho por olho”, que entra em vigor imediatamente após a publicação desta declaração”, disse Yahya Saree.

O bloqueio deve acontecer no Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante rota comercial do Oriente Médio localizada na costa do Iêmen, controlada em boa parte pelos Houthis. O local conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico, e vinha sendo usada pela Arábia Saudita como uma alternativa ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen

Entenda a relação entre Houthis e Arábia Saudita

  • Os Houthis controlam parte do norte do Iêmen desde 2014. Na época, o grupo aproveitou a instabilidade política no país para avançar e tomar territórios antes controlados por forças governamentais.
  • A Arábia Saudita criou, em 2015, a Coalizão para Restaurar a Legitimidade no Iêmen para combater o avanço do grupo iemenita, que é apoiado pelo seu principal rival no Oriente Médio, o Irã.
  • Em 2022, após cerca de oito anos de combates intensos, a Organização das Nações Unidas (ONU) mediou um cessar-fogo entre as partes envolvidas na guerra civil. A trégua se manteve relativamente firme, apesar de episódios esporádicos de tensões entre os Houthis e forças sauditas.
  • Apesar dos esforços da Arábia Saudita, o grupo iemenita continua controlando cerca de 28% do território do Iêmen.

Horas após o anúncio do grupo iemenita, o porta-voz da coalizão internacional que atua contra os Houthis desde 2015, major Turki al-Malki, disse que aliados adotarão medidas “firmes e resolutas” para garantir a navegação de embarcações sauditas pelo Estreito de Bab el-Mandeb.

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do Metrópoles

A tensão militar no Iêmen também reflete diretamente na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso porque os Houthis, que fazem parte do chamado Eixo da Resistência, recebem forte apoio de Teerã e adotaram medidas retaliatórias em defesa dos iranianos.

Em março, por exemplo, o grupo iemenita voltou a lançar ataques contra o território israelense em apoio ao Irã.

Pela ligação com os Houthis, o Irã também já ameaçou bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb em resposta aos recentes ataques dos EUA. O que afetaria, ainda mais, o transporte de petróleo e gás natural na região.

Ao Metrópoles, analistas explicam que o grupo iemenita adota uma postura semelhante a do Irã, que utilizou Ormuz como uma arma de guerra contra os norte-americanos.

“A principal questão será a comercial, já que a Arábia Saudita é um dos grandes produtores mundiais de petróleo”, explica Paulo Cesar Rebello, doutor em Política Comparada pela Universidade de Salamanca.

“Por mais que se foque na questão armada, que obviamente merece atenção e é grave, a consequência comercial é muito mais latente. Ela parece ser o motor desse conflito que está acontecendo na região. Da mesma forma que o Irã bloqueio o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques dos EUA, os Houthis bloqueiam Bab el-Mandeb por conta de ações sauditas”, acrescenta.

Tensão se arrasta desde a última semana

A tensão entre os Houthis e a Arábia Saudita se arrasta desde o início da última semana. Na época, o grupo iemenita acusou forças sauditas de atacarem o Aeroporto Internacional de Sanaa, localizado na capital do Iêmen.

A operação no aeroporto, que visava impedir o pouso de um avião vindo do Irã, foi reivindicada pelo Ministério da Defesa do Iêmen — apoiado pelos sauditas e reconhecido internacionalmente como a força, de facto, do país.

Mesmo assim, os Houthis lançaram mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional de Abha, localizado no sul da Arábia Saudita.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.