Uma tecnologia baseada em inteligência artificial pode ajudar a identificar hipertensão e diabetes a partir de um simples vídeo do rosto. Os resultados serão apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que ocorre entre os dias 28 e 31 de agosto, na Alemanha.
A proposta é melhorar o rastreamento dessas doenças, que muitas vezes passam sem diagnóstico. Hoje, a detecção costuma depender de consultas presenciais, exames específicos ou uso de dispositivos, o que limita o alcance.
O que é hipertensão?
- A pressão alta, ou hipertensão arterial, ocorre quando há uma alta força exercida pelo sangue nas paredes dos vasos sanguíneos, quando ele é bombeado pelo coração.
- A medicina considera que há um quadro de pressão alta quando os valores ultrapassam os 140/90 mmHg (milímetros de mercúrio) ou 14 por 9.
- Tontura, falta de ar e dor de cabeça são sintomas comuns da pressão alta. No entanto, na maioria das vezes, a pessoa não apresenta indícios que acusem o problema e só o descobre quando o quadros é grave.
- Apesar de não ter cura na maioria das vezes, a hipertensão tem controle com medicamentos e a adoção de hábitos saudáveis.
Como funciona a análise
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Tóquio e do Instituto de Ciências de Tóquio, no Japão. Participaram 215 pessoas, entre pacientes com diagnóstico e voluntários saudáveis.
Cada participante teve o rosto e as palmas das mãos gravados por poucos segundos com uma câmera capaz de captar variações de luz associadas ao fluxo sanguíneo. Um algoritmo analisou esses vídeos para extrair informações como a onda de pulso, o fluxo de sangue na pele e mudanças na coloração.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Os dados foram comparados com exames convencionais para verificar a capacidade da tecnologia de identificar as doenças.
Resultados em poucos segundos
O sistema conseguiu detectar hipertensão com 95% de precisão em vídeos de 30 segundos. Mesmo com gravações de apenas cinco segundos, a precisão se manteve alta, em torno de 90%.
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Para diabetes, a análise do fluxo sanguíneo facial também apresentou bons resultados. A precisão foi de 88,2% em vídeos mais longos e de 81,2% em gravações curtas. Além disso, o algoritmo conseguiu estimar a pressão arterial apenas com base no vídeo, sem o uso de aparelhos tradicionais.
Possível uso fora do consultório
Os pesquisadores pretendem permitir triagens em locais do dia a dia, sem necessidade de contato físico ou coleta de sangue, o que poderia facilitar a identificação de pessoas em risco que ainda não sabem que têm a doença.
“Nosso objetivo era desenvolver um algoritmo de IA que permitisse a triagem sem contato em ambientes cotidianos para detectar doenças comuns de forma precoce e em larga escala”, afirmou a pesquisadora Ryoko Uchida, em comunicado.
Limites e próximos passos
Os autores destacam que os resultados ainda precisam ser confirmados em grupos maiores e mais diversos. Também será necessário reduzir a variação nas medições de pressão arterial para que a tecnologia atenda a critérios mais rigorosos.
Os autores apontam que ferramentas desse tipo podem ajudar na prevenção, ao permitir que o tratamento e mudanças de rotina comecem mais cedo. Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está em fase de validação e não substitui os métodos tradicionais de diagnóstico.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.




