Em busca de reforçar os laços com o Brasil, secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, foi enviado para uma missão em território brasileiro nesta semana. Acompanhado de uma comitiva formada por empresários, a visita tem a intenção de aumentar a cooperação econômica entre os dois países.
Agrawal chega ao Brasil nesta quinta-feira (27/8) e deve permanecer no país até o próximo domingo (30/8). A visita dá seguimento a metas já traçadas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o premiê indiano, Narendra Modi. Os dois se reuniram em fevereiro, durante passagem do petista pela Índia.
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do Metrópoles
A missão do secretário indiano ao Brasil, segundo fontes ligadas à diplomacia de Nova Déli ouvidas pelo Metrópoles, tem o objetivo de tirar do papel as iniciativas que prometem elevar a relação entre os dois países.
Entre os temas que devem ser debatidos durante a estadia em território brasileiro, Agrawal deve debater barreiras que impedem o acesso a mercados; vistos; produtos farmacêuticos e de saúde; pequenas e médias empresas; bancos e finanças; cooperação industrial, além da expansão do Acordo de Preferências Tarifárias (APT) entre Índia e Mercosul.
Relação comercial entre Brasil e Índia
- Atualmente, a Índia é o décimo maior parceiro comercial do Brasil.
- Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial entre os dois países no último ano ficou em US$ 15,2 bilhões.
- O número representou um crescimento de 25% em relação a 2024.
- Em 2025, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia. Os principais produtos brasileiros vendidos foram petróleo, gorduras e óleos vegetais, açúcares, mineiro de ferro e algodão bruto.
- Enquanto isso, o país importou US$ 8,3 bilhões da Índia.
Agenda de Agrawal
A agenda de Agrawal começa em Brasília, onde participa nesta quinta da assinatura de um memorando de entendimento (MoU) entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex) e a Confederação das Indústrias Indianas (CII).
A noite, a expectativa é de que o secretário indiano se reúna com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, em um recepção na Embaixada da Índia. No evento, os dois devem dar atualizações sobre acordos já assinados entre Brasília e Nova Déli, assim como anúncios a respeito de novos pactos comerciais.
Na sexta-feira (28/8), o secretário indiano vai copresidir a 8ª reunião do Mecanismo de Monitoramento do Comércio (TMM) Índia-Brasil, ao lado da secretária de Comércio Exterior do Ministério Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Lacerda Prazeres. O último encontro do fórum bilateral, criado em 2008, aconteceu em outubro do último ano.
Depois disso, Rajesh Agrawal segue para o Rio de Janeiro, onde deve manter reuniões e contatos com a comunidade empresarial brasileira.
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em cerimônia oficial no Palácio da Alvorada, em 8 de julho de 2025
Marcelo Camargo/Agência Brasil2 de 4
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o primeiro-ministro da República da Índia, Narendra Modi. Rio de Janeiro (RJ)
Ricardo Stuckert/Presidência da República3 de 4VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto4 de 4
Lula e Narendra Modi na Índia
Ricardo Stuckert/PR
Relações Brasil e Índia
Brasil e Índia têm relações amistosas que foram aproximadas pelo Brics, o bloco de nações emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Através do bloco, os dois países aprofundaram os laços e expandiram a relação política e econômica.
A agenda dos dois países também converge na figura de suas atuais lideranças, Lula e Modi compartilham objetivos semelhantes e são entusiastas de pautas comuns, como os temas relacionados ao meio ambiente, a defesa do multilateralismo, maior participação do Sul Global na governança internacional e da reforma de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU).
Os dois países, agora, buscam expandir e diversificar a pauta econômica bilateral, que ainda tem grande concentração em produtos básicos e commodities. A aproximação ganha relevância no atual contexto político mundial de maior pressão tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Neste sentido, especialistas avaliam que busca por novos parceiros pode ajudar a diversificar a pauta econômica brasileira, além reduzir a exposição à política comercial norte-americana.
Para o Brasil, a Índia representa um mercado de mais de 1,4 bilhão de pessoas e uma alternativa para diversificar parceiros comerciais. Para Nova Délhi, o Brasil é uma porta de entrada para a América Latina e um parceiro relevante em alimentos, energia, minerais, agricultura e fóruns como Brics e o G20.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.




