Três meses após o ataque que deixou duas funcionárias mortas, o Instituto São José instala detectores de metais na entrada da escola, em Rio Branco. A medida passou a fazer parte da rotina dos estudantes no início do novo semestre letivo e foi comunicada aos pais e responsáveis na segunda-feira (10).
A instituição passou a utilizar portões eletrônicos equipados com detectores de metais como parte das medidas adotadas para reforçar a segurança no ambiente escolar. No comunicado enviado às famílias, a escola afirma que a mudança busca proporcionar mais tranquilidade e organização para toda a comunidade educativa.
Os pais e responsáveis também foram orientados a conferir as mochilas antes da saída para a escola. Segundo a instituição, a presença de muitos objetos pode dificultar a passagem pelo detector e provocar filas na entrada.
A mudança ocorre pouco mais de três meses depois do ataque a tiros registrado dentro da instituição. Na ocasião, um estudante de 13 anos entrou armado na escola e efetuou disparos contra quatro pessoas. Duas funcionárias morreram e uma aluna de 11 anos e outra funcionária ficaram feridas.
Após os disparos, o adolescente foi até o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), localizado nas proximidades da escola, e se entregou.
A arma utilizada no ataque, conforme informado pelas autoridades, pertencia ao padrasto do adolescente. O homem chegou a ser preso e levado à Delegacia de Flagrantes (Defla), mas foi liberado posteriormente após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Em julho, também foi sancionada uma lei que criou uma indenização especial para os dependentes das vítimas fatais do ataque. A Lei nº 4.816 prevê o pagamento de R$ 100 mil por vítima, em parcela única.
O benefício pode ser destinado ao cônjuge ou companheiro, filhos menores de 21 anos ou pessoas com invalidez, deficiência ou incapacidade. Na ausência desses dependentes, os pais economicamente dependentes também podem ter direito ao valor.
Caso existam vários beneficiários habilitados, a quantia será dividida igualmente. O pagamento está previsto para ocorrer até 31 de janeiro de 2027, mas poderá ser antecipado ainda este ano se houver disponibilidade orçamentária e os dependentes estiverem devidamente habilitados.
As vítimas fatais foram as inspetoras de corredor Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos. As duas morreram ainda no local.
Uma aluna de 11 anos e outra funcionária ficaram feridas e foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhadas ao Pronto-Socorro de Rio Branco.
Alzenir trabalhava havia décadas no Instituto São José e era conhecida como “Tia Zena”. Raquel fazia parte da equipe da escola havia cerca de três anos.
As duas funcionárias foram veladas e sepultadas na mesma quarta-feira. Alzenir foi velada na residência da mãe, no bairro Cidade Nova, e sepultada no Cemitério São João Batista. Raquel foi velada na Capela São João Batista e sepultada no Cemitério Morada da Paz.




