ECONOMIA

Inteligência artificial deve se tornar principal motor de competitividade das empresas até 2030

Adoção de IA nas empresas deve mais que dobrar nos próximos dois anos, enquanto investimentos em segurança e capacitação aumentam.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

A inteligência artificial (IA) está deixando de ser uma tecnologia restrita a testes e projetos experimentais para assumir um papel estratégico dentro das empresas brasileiras. Uma pesquisa realizada pela IDC aponta que 88% das organizações consultadas esperam que a tecnologia se torne o principal motor de competitividade até 2030.

O levantamento faz parte do estudo “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil”, conduzido pela IDC e comissionado pela Microsoft. A pesquisa ouviu 73 executivos de empresas brasileiras com mais de mil funcionários, de diferentes setores da economia.

Os resultados mostram que as companhias estão acelerando a implementação de ferramentas de inteligência artificial e ampliando os investimentos destinados à tecnologia.

Adoção de inteligência artificial deve mais que dobrar

Atualmente, 23% das empresas pesquisadas já utilizam inteligência artificial em produção em diferentes áreas. A expectativa, porém, é de uma expansão significativa nos próximos 24 meses.

Segundo o levantamento, esse percentual deve chegar a 51%, mais que dobrando a participação atual.

O avanço indica uma mudança no comportamento das organizações, que passam a buscar aplicações capazes de gerar resultados concretos para os negócios, em vez de utilizar a IA apenas como ferramenta experimental.

“O mercado brasileiro está evoluindo rapidamente da experimentação à implementação em escala”, afirmou Eduardo Campos, vice-presidente da área de Soluções Tecnológicas da Microsoft Brasil.

A mudança também está relacionada ao avanço da IA generativa e dos chamados agentes de inteligência artificial.

IA generativa e agentes ganham espaço nas empresas

De acordo com a pesquisa, 58% dos executivos consideram a IA generativa e os agentes de inteligência artificial como algumas das tecnologias mais estratégicas para atender às prioridades dos negócios nos próximos dois anos.

Os agentes de IA já aparecem em 56% das organizações pesquisadas, seja em fase de experimentação ou de produção.

Entre as principais áreas de utilização estão atendimento ao cliente, marketing e cibersegurança.

A expectativa é que a presença dos agentes de inteligência artificial continue crescendo e alcance 69% das organizações até 2028.

O avanço representa uma mudança importante no uso corporativo da tecnologia, já que os agentes podem ser empregados para executar tarefas, analisar informações e apoiar processos internos de diferentes departamentos.

Empresas relatam ganhos com iniciativas de IA

Além da expansão da adoção, a pesquisa aponta resultados financeiros e operacionais relacionados aos projetos de inteligência artificial.

As empresas participantes relatam ganhos médios de 24,5% associados às iniciativas de IA.

Entre os impactos apontados pelo levantamento estão:

  • 28,2% de impacto na satisfação dos clientes;
  • 27,7% de impacto na eficiência dos processos;
  • 26,9% de impacto na redução de riscos;
  • 25,2% de impacto na aceleração de lançamentos no mercado.

Os números indicam que os investimentos em inteligência artificial não estão concentrados apenas em inovação tecnológica, mas também relacionados à busca por eficiência, redução de riscos e melhoria da experiência dos consumidores.

Investimentos em IA devem crescer nos próximos anos

A expansão da inteligência artificial também começa a modificar a forma como as empresas distribuem seus investimentos.

Atualmente, 28% do orçamento destinado a investimentos pelas organizações consultadas está relacionado a iniciativas de IA.

A expectativa é que essa participação chegue a 45% até 2028.

O cenário demonstra que a tecnologia deve ocupar uma parcela cada vez maior das estratégias empresariais nos próximos anos.

Para 52% dos executivos entrevistados, empresas que não adotarem a inteligência artificial em larga escala correm o risco de perder competitividade dentro dos seus respectivos mercados.

Segurança se torna preocupação com avanço da tecnologia

O crescimento da utilização da IA também vem acompanhado de preocupações relacionadas à segurança digital.

Segundo o levantamento, 96% das empresas aumentaram os investimentos em segurança diante do avanço da inteligência artificial.

A preocupação ocorre em um momento em que ferramentas de IA passam a ter acesso a volumes cada vez maiores de informações corporativas e são incorporadas a processos considerados estratégicos.

Com isso, as empresas precisam equilibrar a busca por inovação com medidas destinadas à proteção de dados, sistemas e informações utilizadas nas operações.

Falta de profissionais é uma das principais barreiras

Outro desafio apontado pela pesquisa é a disponibilidade de profissionais qualificados para trabalhar com inteligência artificial.

Cerca de 30% dos executivos entrevistados apontam a escassez de talentos como uma das principais barreiras para a adoção da tecnologia.

A dificuldade aumenta à medida que as empresas ampliam seus projetos e precisam de profissionais capazes de desenvolver, implementar, supervisionar e utilizar sistemas baseados em IA.

Nesse cenário, a capacitação dos trabalhadores passa a ocupar papel importante nas estratégias corporativas.

Empresas ampliam treinamento de funcionários

A pesquisa mostra que as companhias estão investindo na preparação de seus profissionais para acompanhar a transformação tecnológica.

Entre as empresas consultadas, 86% investem no treinamento de profissionais da área de tecnologia da informação.

71% investem na preparação das áreas de negócios, indicando que a capacitação não está restrita aos departamentos técnicos.

A inteligência artificial, portanto, começa a exigir conhecimentos de diferentes setores das organizações, desde tecnologia e segurança até marketing, atendimento, gestão e operações.

Novas funções são criadas dentro das empresas

A transformação provocada pela IA também chega à estrutura organizacional das companhias.

Segundo o estudo, 63% das empresas pesquisadas criaram novas funções dedicadas à inteligência artificial.

A criação desses cargos demonstra que a tecnologia está deixando de ser tratada apenas como uma ferramenta adicional e passa a integrar estruturas permanentes das organizações.

O movimento também pode modificar o perfil profissional exigido pelo mercado de trabalho nos próximos anos.

Brasil entra em novo ciclo de adoção da inteligência artificial

Para Luciano Ramos, Country Manager da IDC Brasil, o mercado brasileiro entrou em uma nova etapa de desenvolvimento da inteligência artificial.

“O mercado brasileiro já avançou além da fase inicial de adoção de inteligência artificial e entra agora em um novo ciclo, em que o foco das organizações está em escalar iniciativas com impacto concreto no negócio”, afirmou.

A avaliação reforça a mudança apontada pelos números da pesquisa: a discussão sobre IA começa a se deslocar da possibilidade de utilização para a capacidade de gerar resultados mensuráveis.

Pesquisa avaliou empresas de diferentes setores

O estudo “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil” foi realizado entre março e abril de 2026.

A pesquisa ouviu executivos de empresas brasileiras de diferentes setores da economia, todas com mais de mil funcionários.

O levantamento analisou aspectos como nível de maturidade na adoção da inteligência artificial, resultados obtidos, investimentos, riscos, capacitação profissional e perspectivas para os próximos anos.

Os dados apontam para uma tendência de expansão da tecnologia no ambiente corporativo brasileiro.

Inteligência artificial deve transformar competitividade empresarial

Os resultados da pesquisa indicam que a inteligência artificial tende a ocupar uma posição cada vez mais importante nas estratégias das empresas brasileiras.

Com 88% das organizações esperando que a IA seja o principal motor de competitividade até 2030, a tecnologia deve influenciar decisões relacionadas a investimentos, contratação e capacitação de profissionais, segurança e desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Ao mesmo tempo, os desafios relacionados à segurança e à falta de talentos mostram que a expansão da IA dependerá não apenas da aquisição de ferramentas, mas também da capacidade das empresas de preparar seus profissionais e adaptar suas estruturas internas.

A tendência apresentada pelo levantamento é de uma transição cada vez mais acelerada: a inteligência artificial deixa de ser apenas uma aposta tecnológica e passa a ser considerada parte da estratégia de negócios das empresas brasileiras.