A Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira (4/11) a paralisação imediata do corte de árvores no chamado Bosque dos Salesianos, na zona oeste da cidade de São Paulo, para evitar um “dano ambiental irreversível”. A decisão vem com atraso: todo o serviço terminou há pelo menos oito dias, com aval da prefeitura de São Paulo e da própria Justiça.
A liminar em segunda instância, assinada pelo desembargador Ramon Mateo Júnior, exige a paralisação imediata de qualquer corte, poda, supressão ou manejo arbóreo no terreno no Alto da Lapa que pertencia ao Centro Universitário Salesiano e foi vendido à construtora Tegra para a construção de torres residenciais.
A SVMA chegou a fiscalizar a obra no dia 6 de novembro e não encontrou nenhuma irregularidade no procedimento. Relatório de um engenheiro ambiental da prefeitura cita que uma árvore onde foi localizado um ninho de sabiá-laranjeira estava sendo preservada. No dia 25 de novembro, a Tegra informou o fim do manejo arbóreo.
Agora, o TJ decide pela suspensão ao constatar, com um mês de atraso, o “risco de supressão arbórea, com perda genética irreparável de ecossistema complexo”. Para o desembargador, compensações em mudas genéricas não equivalem à preservação.
Ainda que absolutamente tardia, esta é a terceira vitória de movimentos ambientais contra derrubadas de áreas verdes em poucos dias em São Paulo. No começo da semana, a Justiça suspendeu o manejo arbóreo de uma área no Butantã onde a prefeitura autorizou a derrubada de 384 árvores para a construção de torres residenciais. Na semana passada, a subprefeitura cedeu a pressão de associados e voltou atrás de autorização para a derrubada de 14 ávores na Hebraica, clube da elite judaica, para a construção de uma quadra de beach tênis.




