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Laudo aponta traumatismo craniano e várias lesões em menino de 3 anos morto no Acre

Laudo do IML também registrou ferimentos no rosto, pescoço, braços e outras partes do corpo, além de marcas de queimaduras; investigação apura as circunstâncias do caso.

Camila Souza Por

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou traumatismo craniano como causa da morte de Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, que morreu após ser levado para atendimento médico em Porto Acre, no interior do Acre.

Além da lesão na cabeça, a criança apresentava ferimentos no rosto, pescoço, lombar, virilha, glúteos, coxas e braços, segundo informações registradas no boletim de ocorrência. Também foram identificadas queimaduras e outras lesões que passaram a integrar a investigação sobre as circunstâncias da morte.

A mãe de Davi, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e o padrasto, Tacio Gomes dos Santos, de 23, seguem presos preventivamente. Os dois são investigados e negam o crime.

Entre os ferimentos identificados estava uma queimadura no pé e uma lesão nas costas que, conforme o registro policial, poderia ter sido provocada por ferro. As informações sobre as lesões foram consideradas pelas autoridades durante a apuração do caso.

A equipe médica que recebeu Davi suspeitou de agressão ao perceber as marcas pelo corpo. Segundo a polícia, a mãe e o padrasto teriam informado inicialmente que o menino havia sofrido uma queda.

O Ministério Público do Acre (MP-AC) informou que os investigados apresentaram versões contraditórias sobre a suposta queda. Outro ponto considerado pelo órgão foi o intervalo de aproximadamente quatro horas entre o suposto acidente e a procura por atendimento médico.

Com base nos elementos reunidos, o MP-AC pediu a prisão preventiva do casal. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante a audiência de custódia realizada na quarta-feira (9).

O promotor de Justiça Flávio Bussab Della Líbera afirmou que a investigação precisa avançar para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar eventual responsabilidade dos dois investigados.

“Para o Ministério Público, o conjunto de informações já reunidas aponta para a necessidade de aprofundamento das investigações sobre as circunstâncias da morte e a eventual responsabilidade dos dois investigados, que exerciam a guarda de fato da criança”, disse o promotor.

Segundo o MP-AC, o padrasto já havia sido denunciado ao Conselho Tutelar por suspeita de maus-tratos contra Davi.

A família materna também relatou que já havia demonstrado preocupação com as condições em que o menino estava sendo criado. O avô materno, João Evangelista, contou que os parentes chegaram a pedir que Davi ficasse sob os cuidados deles.

Segundo o avô, o menino chegou a morar durante um período com a família materna. Ele afirmou que os parentes tentavam oferecer os cuidados necessários, mas perderam contato com a criança depois que Ana Clara se mudou para Porto Acre.

A irmã gêmea de Ana Clara, Ana Bela, também relatou que Davi passou boa parte do primeiro ano de vida junto aos familiares. Segundo ela, posteriormente o contato foi diminuindo e as visitas ficaram mais difíceis.

Os familiares afirmaram ainda que não mantinham contato frequente com Davi havia quase dois anos.

João também relatou que, em outra ocasião, percebeu marcas no corpo da própria filha. Segundo ele, Ana Clara teria afirmado que os ferimentos eram consequência de uma queda.

O avô disse esperar que a filha esclareça o que aconteceu e que a investigação consiga determinar como o menino sofreu o traumatismo craniano e de que maneira foram provocadas as demais lesões encontradas no corpo.

Outro relato apresentado pela família é o de que um vizinho teria ouvido Davi chorando dentro da residência antes de ele ser levado ao hospital. Segundo João, as informações chegaram aos familiares por meio de uma irmã.

A dinâmica dos acontecimentos ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. Além da causa da morte apontada pelo IML, a investigação deverá verificar a origem dos demais ferimentos e a sequência dos fatos antes da chegada da criança ao hospital.

O corpo de Davi foi liberado pelo IML na tarde de quarta-feira (9) e levado para Senador Guiomard, onde ocorreu o velório e o sepultamento nesta quinta-feira (10).

Ana Clara dos Santos e Tacio Gomes dos Santos permanecem presos preventivamente enquanto as investigações continuam. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação; a eventual responsabilidade criminal dos investigados ainda será analisada pela Justiça.

Com informações do G1 Acre.