O lixão às margens da BR-364 queima há um mês em Sena Madureira, no interior do Acre, provocando uma nuvem contínua de fumaça sobre áreas próximas. O incêndio no depósito municipal de resíduos tem causado transtornos para moradores e empresas instaladas nas proximidades.
O local fica próximo à saída do perímetro urbano e, segundo relatos da comunidade, o fogo atingiu camadas profundas dos resíduos sólidos e orgânicos. Essa característica faz com que a queima continue por períodos prolongados, mesmo após ações iniciais de combate.
Fumaça afeta moradores e empresa
A fumaça produzida pelo incêndio se espalha diariamente pelas vilas próximas ao lixão. Moradores relatam aumento de problemas respiratórios entre crianças e idosos nas últimas semanas, enquanto trabalhadores também enfrentam dificuldades para manter a rotina.
Uma fábrica de compensados instalada ao lado do depósito também foi afetada. Em dias de maior concentração de fumaça e fuligem, a empresa precisou interromper o expediente e dispensar funcionários.
A situação transformou o problema ambiental em uma questão que também interfere diretamente na atividade econômica e na rotina da população que vive ou trabalha no entorno.
Fogo persiste no depósito de resíduos
Segundo trabalhadores e moradores ouvidos, o incêndio avançou para as camadas mais profundas do material acumulado no lixão. O fogo subterrâneo dificulta a eliminação completa dos focos e contribui para a permanência da fumaça.
Ainda conforme relatos da comunidade, equipes do Corpo de Bombeiros chegaram a atuar no início do incêndio, mas não houve continuidade das ações de combate por parte do poder público municipal.
Famílias em situação de vulnerabilidade
Outro ponto que aumenta a preocupação é a presença de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade na área do lixão. Registros recentes indicam que adultos e famílias indígenas frequentam o local em busca de alimentos e materiais recicláveis.
Essas pessoas ficam expostas à fumaça, aos gases produzidos pela combustão e aos riscos associados ao contato direto com resíduos.
Problema antigo volta ao centro das atenções
A destinação inadequada dos resíduos em Sena Madureira não é recente. O descarte a céu aberto na região é alvo de questionamentos há mais de uma década.
Recursos federais chegaram a ser destinados anteriormente para a compra de uma área afastada da zona urbana, onde deveria ser construído um aterro sanitário. A estrutura, porém, não foi consolidada, e o descarte continuou ocorrendo no mesmo trecho da rodovia.
Diante do agravamento da situação, moradores procuraram o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) para pedir fiscalização emergencial e medidas capazes de conter o fogo.
Enquanto o problema não é solucionado, a fumaça continua afetando a população e reforça a cobrança por uma resposta definitiva para a destinação dos resíduos no município.




