O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) a produtos brasileiros em artigo publicado no jornal norte-americano The Washington Post, neste domingo (26/7). O petista envia um recado ao presidente norte-americano Donald Trump, responsável pelo tarifaço que soma 37,5% de taxas ao Brasil: “Ninguém nos derrotará com mentiras”.
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No texto, o petista relembra o tarifaço anunciado no ano passado, por meio de uma publicação nas redes sociais de Trump, que fazia referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação do chefe do Planalto, a fala evidencia que a medida tinha motivação política.
“Seu primeiro parágrafo fazia referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro — que foi condenado no ano passado por tentativa de golpe de Estado no Brasil e agora está em prisão domiciliar — deixando explícita a motivação política por trás da medida”, escreveu o presidente.
Lula também afirma que, apesar dos esforços de negociação, o governo norte-americano desconsiderou os argumentos técnicos apresentados pela equipe brasileira ao aplicar as novas tarifas, que chegam a 37,5%. Ele acrescenta que a medida vai prejudicar o comércio bilateral entre os países.
“Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicarão a economia dos EUA e a parceria entre os EUA e o Brasil. Vários setores industriais dos EUA dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e muitos outros produtos ficarão mais caros para os consumidores americanos”, argumentou o presidente.
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Lula diz ainda que não vão prosperar as “tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais”. Ele fez menção à fala do secretário de Estado, Marco Rubio, que deixou o Brasil de fora da lista de “amigos” dos EUA no continente americano.
“Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos. Ninguém nos derrotará com mentiras”, escreveu o petista.
Tarifas dos EUA contra o Brasil
- Em cinco oportunidades, desde o início do atual governo Trump, os Estados Unidos anunciaram tarifas contra o Brasil.
- No chamado Dia da Libertação, em 2025, Trump anunciou taxas recíprocas de 10% contra o Brasil.
- Em seguida, no dia 9 de julho de 2025, Trump anunciou mais 40% de taxas a produtos brasileiros, que se somaram aos 10% já aplicados, totalizando 50% de alíquota.
- A taxa foi justificada, inicialmente, como retaliação pelo o que Trump chamou de “caça às bruxas” contra os ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
- Em fevereiro de 2026, após a Suprema Corte derrubar o tarifaço de 50%, Trump anunciou uma nova alíquota global de 10% para todos os países.
- Em junho deste ano, o USTR, órgão comercial dos EUA, concluiu uma investigação contra o Brasil e sugeriu a aplicação de 25% de taxas ao país.
- A nova tarifa foi aprovada por Trump e entrou em vigor no dia 22 de julho.
- Por último, nessa quinta-feira (23/7), os EUA aplicaram mais 12,5% de taxas ao Brasil e outros países, como resultado de uma investigação sobre suposto trabalho forçado.
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Presidente Lula e Donald Trump
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Os presidentes dos EUA e do Brasil, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva
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Donald Trump e Lula
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Trump em encontro com Lula
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Reunião privada durou cerca de 1h30
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Presidente Lula
Andrew Harnik/Getty Images
Missão barrada
O texto foi publicado no The Washington Post um dia após o jornal revelar que autoridades ligadas ao Departamento de Estado planejavam fazer uma visita ao Brasil com o objetivo de colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral a poucos meses do pleito de outubro.
A viagem aconteceria logo depois que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), questionou o funcionamento das urnas eletrônicas em uma reunião com embaixadores. A movimentação levantou suspeitas no governo brasileiro sobre uma possível tentativa de interferência na disputa eleitoral.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) decidiu negar o visto dos dois funcionários do Departamento de Estado que integrariam a comitiva. A gestão de Donald Trump nega que a visita teria objetivo de descredibilizar as eleições.
“Qualquer insinuação de uma ‘conspiração’ para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira infundada. Tratou-se de uma visita de rotina”, diz trecho de nota enviada ao Metrópoles.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniela Santos.





