A um mês do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como trunfo o avanço de bandeiras eleitorais e mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto, mesmo que apresente estagnação. No entanto, a crise que se abateu sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), e a investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do petista, assombram a campanha e podem trazer prejuízos para a corrida à reeleição.
Nos últimos dias, o clima na Suprema Corte se acirrou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Aliados de Lula defendem que ele mantenha distância do caso para evitar contaminação da campanha.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Na noite dessa quinta-feira (3/9), Lula publicou um vídeo sobre a crise no Supremo. Trata-se da primeira manifestação do titular do Planalto sobre o assunto. O presidente não cita nominalmente nenhum ministro da Suprema Corte no vídeo, mas discorre explicitamente sobre a crise no Poder Judiciário e o escândalo envolvendo o Banco Master.
Na gravação, o titular do Planalto afirma que o Brasil “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defende a adoção de um código de ética para o Judiciário e para o Ministério Público, tema que é bandeira de petistas.
O presidente declarou ainda que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa quem doer”. “Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas”, ponderou.
Entre terça-feira (1º/9) e quarta-feira (2/9), Lula manteve conversas, separadamente, com o presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, e Andrei Rodrigues. Nas conversas individuais, segundo a coluna de Andreza Matais, Lula teria afirmado que não é de seu interesse alimentar a crise e que seu objetivo é ajudar a pacificar o ambiente.
Corrida acirrada
Os desdobramentos do caso Master vieram à tona no momento em que a disputa ao Palácio do Planalto se mostra acirrada. Segundo levantamentos divulgados recentemente, Lula lidera nos cenários de 1º turno, mas aparece empatado com seu principal adversário, o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no 2º turno.
Na nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada, nessa quinta-feira (3/9), o presidente aparece com 38% das intenções de voto no 1º turno contra 33% do bolsonarista. O levantamento também confirma a ascensão do escritor Augusto Cury, que marcou 8%.
No cenário de 2º turno, Lula tem 46% das intenções de voto e Flávio marca 44%. A vantagem de Lula é de dois pontos percentuais sobre Flávio, justamente a margem de erro da pesquisa.
No último levantamento realizado pelo mesmo instituto e divulgado no dia 21 de agosto, Lula liderava com 47% das intenções de voto para o 2º turno; seguido por Flávio Bolsonaro que tinha 43% — a diferença era de 4 pontos percentuais.
Já a pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2/9), aponta que o petista tem 37% das intenções de voto contra 30% do senador no 1º turno. O escritor Augusto Cury (Avante) registrou 10%, ficando em terceiro lugar na disputa. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento indica ainda um empate técnico entre Lula e Flávio no 2º turno, com o chefe do Planalto numericamente à frente. Ele teve 42% das intenções de voto em eventual disputa direta entre os dois, contra 41% do candidato do PL.
A mesma tendência foi registrada na sondagem feita pela Real Time Big Data e divulgada na terça. Segundo o levantamento, Lula tem 38% das intenções de voto; Flávio Bolsonaro (PL), 30%, e Augusto Cury (Avante), soma 11% em um cenário sem Pablo Marçal (PRTB). Já no 2º turno, Lula e Flávio empatam numericamente — ambos com 44% das intenções de voto.
8 imagens1 de 8
Abertura do ano do Judiciário. Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson Fachin
BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 8
Presidente Lula e Alexandre de Moraes (STF)
Igo Estrela/Metrópoles3 de 8
Gilmar Mendes e Edson Fachin
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 8
Presidente Lula e Alexandre de Moraes (STF)
Igo Estrela/Metrópoles5 de 8
Moraes, Janja e Lula
Ricardo Stuckert6 de 8
Abertura do ano do Judiciário. Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson Fachin
BRENO ESAKI/ METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto7 de 8
Lula e Moraes
Igo Estrela/Metrópoles
@igoestrela8 de 8
Ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Casos Lulinha e Marcola
- As investigações envolvendo o primogênito de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, são o principal temor da campanha do petista à reeleição.
- Lulinha é alvo de três inquéritos da PF por suspeita de tráfico de influência para fechar contratos com o governo federal, sob a condição de ser filho do presidente.
- De acordo com investigações da corporação, Lulinha é apontado como sócio oculto de negócios da lobista Roberta Luchsinger com a gestão Lula.
- Pagamentos feitos por Roberta a Lulinha aparecem em representações da PF que embasaram a abertura dos inquéritos envolvendo o empresário. Dois deles estão sob a relatoria do ministro do STF André Mendonça, enquanto o terceiro é relatado pelo ministro Flávio Dino.
- Roberta também manteve negócios com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado nas investigações como um dos operadores do esquema que teria causado o rombo bilionário na Previdência Social — fraude revelada pelo Metrópoles. Ambos são investigados no âmbito da Operação Sem Desconto, da PF.
- A corporação suspeita ainda de que Roberta tenha comprado joias, oferecido presentes e pago despesas do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, para ampliar seu acesso e preservar sua influência no núcleo do governo federal. O objetivo de Roberta através da aproximação com Marcola era fechar um contrato de venda de cannabis com o Ministério da Sáude, em parceira com o Careca do INSS.
Vitórias no Congresso
O presidente viu avançar cinco pautas prioritárias do governo federal no Congresso no decorrer da última semana de esforço concentrado antes das eleições gerais de outubro. O avanço das propostas foi acertado na semana passada, durante reunião entre Lula e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
No último mês, o titular do Planalto retomou o diálogo com Alcolumbre, o que resultou na aprovação de pautas-chave para a campanha de de Lula à reeleição. Os presidentes do Executivo e do Legislativo tinham rompido relação desde abril, quando o advogad0-geral da União, Jorge Messias, teve indicação rejeitada pelo Senado para ocupar vaga no STF. Segundo governistas, a derrota foi arquitetada por Alcolumbre.
O projeto de lei que cria incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil, por meio do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), foi aprovado pelo Senado na terça-feira (1º/9), sem alterações no texto.
Já nessa quinta-feira (3/9), o Senado aprovou o projeto de lei de conversão da medida provisória que derruba a chamada “taxa das blusinhas”, imposto federal cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50, feitas, por exemplo, em plataformas como Shein e Shopee. O texto segue para sanção de Lula.
Outra pauta prioritária aprovada pelo Senado, na quarta-feira (2/9), foi o projeto que cria política nacional para minerais críticos e estratégicos e prevê incentivos para ampliar o processamento desses recursos no Brasil. A proposta segue agora para sanção presidencial.
No mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou as duas principais pautas do governo no Congresso desde o ano passado: as propostas de emenda à Constituição (PECs) da Segurança Pública e do fim da escala de trabalho 6×1.
As duas PECs seguem agora para o plenário do Senado. A expectativa de governistas era de que a propostas fossem discutidas ainda na quarta, mas o presidente Davi Alcolumbre, não as incluiu na pauta da sessão. Líderes do governo admitiram que não tinham votos suficientes para aprovar o texto que altera a jornada de trabalho. Na quinta, o chefe da Casa Alta afirmou que a PEC do fim da escala 6×1 será votada no plenário depois das eleições.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniela Santos.




