Acendeu o sinal amarelo ou vermelho na campanha de Lula à reeleição? Entre os que cercam o presidente, as opiniões variam. Para os mais otimistas, o sinal é amarelo, de alerta e cuidado. Para os pessimistas, é vermelho, indicando perigo à vista. Faltam apenas 26 dias para o dia 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições, e as pesquisas de intenção de voto, em rara unanimidade, indicam que a candidatura de Lula capenga.
A nova pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (7), mostra que Lula, embora permaneça na liderança no primeiro turno com 36% das intenções de voto, vê a desaprovação ao seu governo chegar a 50%, enquanto sua rejeição pessoal alcançou 53%. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece empatado numericamente com o adversário, ambos com 41%. Desde julho, observa-se uma tendência de crescimento na intenção de voto em Flávio, ao passo que Lula cede terreno.
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Mesmo assim, auxiliares de Lula atravessaram o fim de semana esperando algo ainda mais dramático. Na sexta-feira e no sábado, pesquisas por telefone para consumo interno da campanha já apontavam Flávio com um ou dois pontos à frente de Lula no segundo turno. Esse movimento pode ter sido reflexo da crise que abala o Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que o ministro Alexandre de Moraes é tido por uma fatia considerável do eleitorado como um aliado de Lula.
De uma semana para cá, segundo a Quaest, o indicador que mais variou foi a importância que as pessoas passaram a atribuir à corrupção como o principal problema do país. O clima esquentou após treze ministros aposentados do STF assinarem uma carta defendendo a convocação urgente de uma sessão pública do tribunal. O objetivo seria fazer com que o plenário determine uma apuração imediata e rigorosa dos fatos relacionados ao escândalo do Banco Master, que atingiram Moraes.
No comício bolsonarista realizado ontem na Avenida Paulista, os oradores partiram para o ataque contra o ministro. “Está na hora de o Supremo não se dividir para se defender, mas se unir para apurar, para dar a resposta que a sociedade precisa”, discursou Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio, elevou o tom de voz: “Não existe Lula sem Alexandre, e não existe Alexandre sem Lula. Por isso, vamos dizer ‘fora, Lula’ e ‘fora, Moraes’”.
A despeito de indicadores macroeconômicos como desemprego, inflação e aumento da renda continuarem positivos, cresceu no último mês o percentual de eleitores que se dizem mais endividados. A culpa por essa situação acaba sendo creditada ao governo e, por extensão, a Lula. Somam 72% os índices daqueles que afirmam ter muitas dívidas (28%) ou poucas (44%). De sua parte, a campanha de Flávio joga com a lógica do “quanto pior, melhor” para tentar se eleger.
O desafio histórico para a oposição, contudo, permanece grande. Nenhum candidato à Presidência do Brasil conseguiu vencer a eleição após terminar o primeiro turno em segundo lugar. Ao todo, de 1990 para cá, aconteceram 108 disputas de segundo turno em âmbitos estaduais, o que significa que o candidato que começou em segundo lugar conseguiu reverter o placar e se eleger em apenas 28,7% dos casos (pouco menos de um terço). Por outro lado, o fantasma da quebra de tabus assombra o governo: até hoje, somente um presidente no exercício do cargo não conseguiu se reeleger na história do país (Jair Bolsonaro, em 2022). Lula não quer ser o segundo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.




