
Dez meses após a morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, a mãe do jovem, Maria Verônica Bezerra da Silva, ainda convive diariamente com o luto e a ausência do filho. Em entrevista, ela desabafou sobre a dor da perda e a espera pelo julgamento dos acusados pelo crime.
“Ele era meu parceiro. Sou mãe solo e enfrentei tudo sozinha desde a gravidez para criar e educar meu filho. Esse foi o primeiro Natal sem ele e um dos piores momentos da minha vida”, relatou Maria Verônica.
“Tem dias que preciso me segurar para não imaginar o sofrimento dele na hora da execução. Eu me apego muito a Deus para tirar esses pensamentos, mas não é fácil”, afirmou.
Espera por justiça
De acordo com a Polícia Civil, 15 pessoas já foram presas por envolvimento no assassinato. O delegado responsável pelo caso, Heverton Carvalho, informou que o júri popular dos três primeiros acusados está previsto para ocorrer em fevereiro.
A mãe do jovem disse que se prepara emocionalmente para enfrentar o julgamento, mesmo sabendo que o processo pode intensificar ainda mais a dor, já que provas do crime devem ser exibidas, incluindo um vídeo gravado pela própria facção.
“Era um menino muito bom, meu companheiro. Estou aprendendo a viver com essa dor, mas nunca vou esquecê-lo. Lembro como se fosse hoje do dia em que ele saiu de casa pela última vez”, disse.
Relembre o caso

João Vitor desapareceu no dia 8 de março de 2025, após sair de casa sem informar para onde iria. Três dias depois, o corpo foi encontrado às margens do Rio Juruá.
As investigações apontam que o crime teria sido motivado por um episódio ocorrido cerca de um mês antes, quando João Vitor ajudou a imobilizar um homem durante uma abordagem da Polícia Militar, no centro de Cruzeiro do Sul. A ação foi registrada em vídeo por populares.
Segundo a Polícia Civil, após ser liberado, o homem imobilizado teria cobrado da facção criminosa uma punição contra João Vitor. Essa cobrança teria dado início às ações que culminaram no assassinato.
Ainda conforme o boletim policial, João Vitor foi chamado por uma amiga, Maria Francisca Fernandes Lima, de 27 anos, para uma conversa. Ele foi levado de carro por aplicativo até o bairro Cohab, onde teria sido submetido ao chamado “tribunal do crime” antes de ser executado.



