SABRINA ONGARATTO, DO HOME OFFICE
A mãe de dois e microempreendedora Giuliana Binhott, 43 anos, de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, passou pelo maior susto de sua vida no último domingo. Depois de brincar na cama elástica, a filha, Amanda, 11 anos, começou a reclamar de dor. Minutos depois, começou a perder a coordenação motora e a fala. “Em menos de 5 minutos, ela não sabia mais como se calça uma meia e foi perdendo a fala. Foi asussutador”, conta Giuliana, em entrevista à CRESCER. Veja, abaixo, o relato completo da mãe:
POR QUE ISSO ACONTECE?
No laudo do hospital, segundo a mãe, consta que Amanda teve uma “concussão cerebral”, que é um tipo de trauma crânio-encefálico, caracterizado por uma perda transitória da consciência. “A pediatra explicou que o que aconteceu foi um ‘efeito chicote’, quando se faz um movimento brusco demais ou bate com a cabeça. Acredito que foi porque ela estava pulando sentada e tentando cair em pé e teria causado o ‘tranco’ no pescoço. Graças a Deus a Amanda não teve uma lesão mais grave”, completou Giuliana, aliviada.
Segundo o neurologista Saul Cypel, presidente do Departamento de Neurologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), episódios como o que aconteceu com Amanda não é comum, mas ele chama a atenção dos pais, principalmente para o tempo no brinquedo. “Ficar muito tempo saltando e chacoalhando a cabeça pode, sim, ser prejudicial. Temos várias estruturas dentro da cabeça, como o labirinto, que é a região interna do ouvido ligada à audição, mas também à noção de equilíbrio e percepção de posição do corpo. Então, uma alteração na função do labirinto pode causar vertigem e tontura, a pessoa pode sentir que as coisas estão rodando ao seu redor. Essa sensação pode ser leve e passar rápido, mas uma alteração muito intensa pode levar à dificuldades de coordenação, mal estar e confusão na comunicação. Não é que ela perde a memória, mas a alteração labiríntica, pela intensidade da vertigem, pode deixar alguém confuso e atrapalhado”, exemplifica.
Segundo o neurologista, outra possibilidade que também pode gerar uma alteração na fala e coordenação, é quando a cabeça passa por movimentos muito bruscos, fazendo o cérebro se se movimentar, levando a uma concussão. “É quando o cérebro sofre pequenos movimentos, mesmo que milimétricos. Quanto mais nova a criança, maiores são os riscos. Por exemplo, em um bebê de até 2 anos, o cérebro ainda não está completamente fixado no crânio e as complicações podem ser mais sérias. Apesar de em crianças maiores não ser muito comum, existe uma série de questões, como alteração no metabolismo cerebral ou o exagero no tempo da brincadeira que podem levar à isso. O melhor é evitar a possibilidade de ocorrência. É bom lembrar que todo brinquedo tem um certo risco e os pais precisam estar atentos”, finalizou.



