Dados da mais recente pesquisa Datafolha mostram que, em 2018, o presidente Jair Bolsonaro teve como eleitorado uma grande mistura ideológica. A ‘confusão’ rende atualmente ao ex-capitão uma queda no apoio entre os seus eleitores, com a maior parte dos arrependidos passando a defender um impeachment e migrando para Lula (PT) em um eventual segundo turno em 2022.
Segundo a pesquisa, a confiança em Bolsonaro caiu entre seus próprios eleitores. 25% nunca confiam no que ele diz, 34% indicam que sempre confiam nas declarações do presidente e 40% às vezes confiam no discurso do ex-capitão.
Ainda entre os eleitores do atual presidente, 24% passaram a defender que o Congresso avalie o processo de impeachment. A proporção é bem menor do que a população (56%), mas confirma a massa de bolsonaristas arrependidos.
Esse mesmo um quarto de eleitores que dizem não confiar nas declarações do presidente e defender o impeachment indica que, em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, migrariam seus votos para o petista. Ao todo, 23% votariam em Lula, 65% repetiriam o voto em Bolsonaro e 12% votariam em branco ou nulo neste cenário.
No cenário de primeiro turno, Lula também é o que vai melhor entre os arrependidos do voto em 2018. 16% votariam no petista; 7% em Ciro Gomes (PDT); 6% em João Doria (PSDB); 3% em Luis Henrique Mandetta (DEM); 9% em branco, nulo ou nenhum. Segundo o Datafolha, só 56% repetiriam o voto no ex-capitão.
Os bolsonaristas ouvidos pela pesquisa também mostraram que estão em dissonância com o presidente quando o assunto é pandemia. 85% dos eleitores do presidente defendem o uso obrigatório de máscaras e 39% acreditam na eficácia da vacina contra a Covid-19.
Em contrapartida, o número de eleitores do presidente que avaliam negativamente o desempenho de Bolsonaro na pandemia é de apenas 28%. A avaliação positiva ficou em 45%. Só 34% dos eleitores também atribuem a ele a culpa pela inflação, 25% pelo desemprego e 19% pela crise de energia.
A ‘confusão’ da massa eleitoral de Bolsonaro fica evidente com as avaliações sobre corrupção e economia. 50% dos bolsonaristas acreditam que a corrupção irá aumentar e 54% viram piora na economia durante a atual gestão.
A avaliação das ameaças recentes feitas pelo presidente ao Supremo também foram pesquisadas pelo Datafolha. Ao todo, 54% dos eleitores do ex-capitão defendem o impeachment se ele de fato não cumprir decisões judiciais do tribunal.
As notícias falsas divulgadas por Bolsonaro foram lidas como ameaças à democracia por 73% dos seus eleitores e 52% apontaram que os posts do presidente também podem ser lidos dessa maneira.
Há chance de um golpe só para 27% dos eleitores do atual governo. 68% não acreditam nesta possibilidade. 45% também não vê chances de uma nova ditadura e 69% afirmam que a democracia é a melhor forma de governo.





