O Partido Novo protocolou, nesta sexta-feira (31/7), uma representação que pode levar à cassação do mandato do senador Jaques Wagner (PT-BA). A sigla pede que o Conselho de Ética do Senado abra um processo para apurar se o parlamentar recebeu vantagens indevidas e atuou no Congresso em benefício de interesses do Banco Master.
O documento não indica, de saída, qual punição deve ser aplicada. O Novo solicita que, caso as suspeitas sejam confirmadas, o colegiado reconheça a quebra de decoro e defina a sanção cabível, que pode variar de uma medida disciplinar à recomendação de perda do mandato. Nesse último caso, a decisão final caberia ao plenário do Senado.
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do Metrópoles
Apartamento em Salvador
O Novo cita a suspeita de que um apartamento de R$ 2,45 milhões, em Salvador, tenha sido comprado por uma empresa para ocultar o verdadeiro beneficiário. A representação afirma que “a titularidade formal do imóvel poderia não corresponder ao seu beneficiário real”.
Wagner nega ter recebido o imóvel e diz que a negociação, pensada para ajudar a filha, não foi concluída.
Pagamentos e atuação no Congresso
A sigla também pede a apuração de uma transferência de R$ 3,5 milhões para empresa ligada ao núcleo familiar do senador e de registros superiores a R$ 2,34 milhões destinados a “Dudu”.
O Novo relaciona os pagamentos à atuação de Wagner em pautas de interesse do Banco Master. Segundo a peça, a suspeita surge quando a atividade parlamentar aparece “em contexto de vantagens econômicas, relações privadas próximas e possível favorecimento de grupo econômico específico”.
O partido ainda quer esclarecer se Wagner teve conhecimento antecipado da operação da PF. A representação pede a apuração de eventual acesso a informações sigilosas e de possíveis tentativas de alertar investigados ou interferir nas diligências.
Aliados do senador afirmam que a audiência citada no caso tratava de uma demanda de um prefeito baiano, sem relação com a investigação.
O que o Novo pede
Além da abertura do processo, o partido solicita que o Senado peça ao STF o compartilhamento dos documentos da investigação, ouça Wagner e outras pessoas citadas pela PF e obtenha os registros de entrada no gabinete do senador nos últimos 24 meses.
A sigla também quer acesso a informações sobre viagens, presentes, atividades privadas, participações societárias e eventuais vantagens econômicas declaradas por Wagner ao Senado.
O protocolo da representação não significa que um processo contra Wagner será aberto automaticamente. Pelas regras do Senado, o presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (União-MT), terá cinco dias úteis para fazer uma análise preliminar e decidir se admite ou arquiva o pedido.
Wagner nega ter recebido vantagens indevidas e afirma que não tem negócios com o Banco Master. Em junho, o senador deixou o cargo de líder do governo no Senado, em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e declarou que passaria a se dedicar à defesa e a provar a própria inocência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maria Laura Giuliani.




