A cada semana surge uma nova tendência nas redes sociais prometendo mudar a vida das pessoas. Entre elas está o maxxing (ou maxing), termo derivado do inglês maximize (maximizar em portugês), usado para descrever a tentativa de levar ao limite algum aspecto da vida, seja aparência física, o condicionamento, o sono, a produtividade ou até a vida financeira.
Expressões como looksmaxxing, gymmaxxing e seleepmaxxing ganharam milhões de visualizações em plataformas como Tik Tok e Instagram. Embora muitas práticas incentivem hábitos saudáveis, especialistas alertam que a busca por otimização constante pode ultrapassar o limite do autocuidado e comprometer tanto a saúde física quando a mental.
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Segundo a psicóloga cognitiva Rejane Sbrissa, de São Paulo, especialista em saúde emocional e qualidade de vida, o fenômeno atrai principalmente adolescentes e jovens porque dialoga diretamente com necessidades comuns dessa fase da vida.
“Psicologicamente, o maxxing responde às necessidades de pertencimento e validação social. O problema surge quando a busca por evolução se transforma em obsessão, levando a comparações constantes, baixa autoestima, ansiedade e à crença de que o próprio valor depende da aparência ou da aprovação dos outros”, enfatiza.
Maxxing: o que é e quais os riscos
- O maxxing é a busca por otimizar aspectos da vida, como aparência, sono e desempenho.
- Mudanças corporais rápidas prometidas nas redes sociais raramente têm respaldo científico.
- Dietas extremas, excesso de exercícios e suplementação sem orientação podem trazer riscos importantes.
- Comparações constantes nas redes sociais favorecem ansiedade, baixa autoestima e insatisfação corporal.
- O autocuidado saudável é flexível; a obsessão costuma gerar culpa, sofrimento e prejuízo à qualidade de vida.
Já para Emy Suelen Pereira, também de São Paulo, doutora em educação Física e especialista em performance, o desejo de melhorar o próprio corpo não é um problema em si. O risco está nas promessas irreais vendidas nas redes sociais.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
“O problema do maxxing não está no desejo de evoluir. Está na promessa de que existe um protocolo universal capaz de transformar qualquer pessoa rapidamente”, esclarece.
Transformação não acontece da noite para o dia
Quem acompanha conteúdos sobre maxxing costuma encontrar promessas de emagrecimento acelerado, ganho rápido de músculos ou mudanças radicais na aparência.
Porém, Emy explica que a realidade é um cenário diferente. De acordo com a especialista, resultados consistentes dependem de fatores como alimentação, sono, genética, idade, condição hormonal, histórico de atividade física e adesão ao tratamento ao longo do tempo.
“Mesmo com toda essa experiência, nunca encontrei um corpo que respondesse exatamente como outro. O organismo humano não funciona como uma fórmula de internet.”
Na avaliação da psicológica, existe uma diferença importante entre querer melhorar hábitos e acreditar que a aparência ou a produtividade determinam o valor de uma pessoa. Rejane afirma que o comportamento passa a representar um risco à saúde, quando começa a provocar sofrimento emocional, isolamento ou culpa diante de qualquer mudança na rotina.
“É saudável quando promove bem-estar, respeita os limites do corpo e contribui para uma vida mais equilibrada. Deixa de ser saudável quando passa a ser motivado pelo medo, pela comparação constante e pela necessidade de validação.”
Segundo a psicóloga, a busca incessante pela perfeição pode favorecer ansiedade, depressão, transtornos alimentares e transtorno dismórfico corporal, principalmente entre pessoas com baixa autoestima ou tendência ao perfeccionismo.
Realidade x Redes sociais
Outro ponto destacado pelas especialistas é a influência dos algoritmos das redes sociais. Ao consumir repetidamente conteúdos sobre aparência, produtividade ou desempenho, quem o consome, passa a receber cada vez mais publicações semelhantes, criando a impressão de que determinados padrões são comuns ou facilmente alcançáveis.
É o que fazem os influenciadores, que costumam mostrar apenas os melhores momentos, muitas vezes com filtros, iluminação, edição de imagens, procedimentos estéticos ou anos de preparação que não aparecem nos vídeos, sem dizer que o cenário é todo montado.
Outra preocupação que também envolve o “maxxing” é o uso indiscriminado de suplementos, hormônios e medicamentos para acelerar resultados estéticos.
Alguns produtos podem interagir com medicamentos, provocar efeitos adversos importantes e aumentar o risco de problemas cardiovasculares, hepáticos e renais quando utilizados sem indicação profissional.
Emy chama atenção para uma falsa sensação de segurança. “A palavra ‘natural’ não significa ‘inofensivo’. E a palavra ‘suplemento’ não significa que a pessoa possa consumir livremente.”
As profissionais concordam que cada um tem seu tempo e que a melhor estratégia continua sendo a combinação de hábitos já consolidados pela ciência: alimentação, exercícios físicos, sono adequado, hidratação, controle do estresse e acompanhamento profissional quando necessário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Isabella França.




