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R$ 530 mil para Antônia, R$ 350 mil para Tanízio e zero para Marcus: o recado do MDB

Enquanto Antônia Sales recebeu R$ 530 mil e Tanízio Sá R$ 350 mil, ex-prefeito de Rio Branco ainda aparece sem recursos do fundo partidário, segundo os dados apresentados do DivulgaCand.

Redação Por

Na política, discursos de união costumam ser bonitos. Mas, quando chega a hora de dividir o dinheiro da campanha, é possível enxergar com mais clareza quem está sentado à mesa e quem ficou esperando do lado de fora.

É essa leitura que começa a ganhar força dentro do MDB do Acre.

Os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) apresentados no sistema DivulgaCand revelam uma diferença considerável entre candidatos do partido à Assembleia Legislativa.

A deputada Antônia Sales, que busca a reeleição e é esposa do presidente estadual do MDB, Vagner Sales, aparece com R$ 530 mil destinados à campanha.

O também deputado estadual Tanízio Sá, candidato à reeleição, recebeu R$ 350 mil.

E Marcus Alexandre?

Até o momento retratado pelos dados apresentados, o ex-prefeito de Rio Branco ainda não recebeu recursos do FEFC.

Marcus tem voto, mas ainda não tem dinheiro?

É justamente aí que a situação ganha contornos políticos interessantes.

Marcus Alexandre não é um candidato desconhecido tentando construir um nome do zero. Foi prefeito de Rio Branco, disputou o Governo do Acre e carrega consigo recall eleitoral considerável.

Além disso, pesquisas recentes para deputado estadual têm colocado Marcus entre os nomes competitivos na corrida por uma cadeira na Aleac.

Por isso, vê-lo sem recursos enquanto outros candidatos já receberam centenas de milhares de reais naturalmente provoca uma pergunta:

o MDB realmente considera Marcus Alexandre uma de suas prioridades para 2026?

É importante ressaltar que a ausência de repasse neste momento não significa que Marcus ficará sem dinheiro do fundo eleitoral. Novas transferências podem ser realizadas durante a campanha e os dados do DivulgaCand são atualizados.

Mas política também é feita de sinais.

E o sinal inicial não parece dos melhores para o ex-prefeito.

Antônia Sales larga com R$ 530 mil

Outro ingrediente torna o assunto ainda mais delicado.

A maior beneficiada entre os nomes mencionados é justamente Antônia Sales, esposa do presidente estadual do MDB, Vagner Sales.

Isso não torna o repasse irregular. Partidos possuem autonomia para estabelecer estratégias de distribuição dos recursos eleitorais, observadas as regras legais, partidárias e as destinações obrigatórias previstas na legislação.

Politicamente, entretanto, a diferença chama atenção.

Antônia recebeu R$ 530 mil. Tanízio, R$ 350 mil. Marcus, até o recorte analisado, zero.

É difícil olhar para esses três números sem perceber que existe uma hierarquia de prioridades — ao menos nesta primeira distribuição.

Fantasma de Luiz Gonzaga ronda o MDB

E existe um precedente que deixa o cenário ainda mais desconfortável.

Informações de bastidores apontam que divergências relacionadas ao tratamento interno e à distribuição dos recursos de campanha teriam pesado no afastamento político do deputado Luiz Gonzaga, que deixou o MDB e passou a apoiar Alan Rick (Republicanos) na disputa pelo Governo.

Esse ponto precisa ser tratado como informação de bastidor, e não como causa oficialmente comprovada da decisão de Gonzaga.

Ainda assim, o episódio serve de alerta.

Se um parlamentar já deixou o projeto político em meio a insatisfações internas, deixar outro nome eleitoralmente competitivo esperando enquanto candidatos ligados ao comando partidário recebem valores expressivos inevitavelmente produz ruído.

O MDB está fritando Marcus?

Talvez ainda seja cedo para responder categoricamente.

Pode existir uma estratégia de repasses escalonados. Marcus pode receber recursos nos próximos dias e a diferença desaparecer. Somente a direção do MDB pode explicar quais critérios foram adotados.

Mas a pergunta é legítima.

Porque fundo eleitoral significa estrutura: equipe, deslocamento, material, comunicação, produção audiovisual e capacidade de ampliar uma candidatura.

E eleição não espera.

Cada dia em que adversários dispõem de centenas de milhares de reais enquanto outro candidato aguarda representa uma diferença operacional importante.

Por isso, se Marcus Alexandre continuar aparecendo bem nas pesquisas e, ao mesmo tempo, permanecer atrás na distribuição financeira do próprio partido, a pergunta ficará ainda mais incômoda:

o MDB quer eleger Marcus Alexandre ou apenas tê-lo na chapa?

Até que os próximos repasses tragam uma resposta, os números deixam espaço suficiente para que a velha expressão dos bastidores políticos volte a circular:

Marcus Alexandre está sendo fritado dentro do próprio MDB?