O avanço na pesquisa de tratamentos para a obesidade e o diabetes tipo 2 passa por uma transição focada na diversificação de terapias. A nova geração de medicamentos inclui opções em comprimidos, além das tradicionais canetas emagrecedoras, buscando trazer mais praticidade para o dia a dia dos pacientes.
Duas grandes apostas são o orforglipron, da Eli Lilly, e o elecoflipron, da AstraZeneca. O primeiro foi aprovado este ano nos Estados Unidos, e espera autorização da Anvisa.
De acordo com o diretor executivo de assuntos médicos da Eli Lilly, Luiz André Magno, o orforglipron também passa por testes em outras frentes de saúde metabólica, como hipertensão e síndrome dos ovários policísticos.
Ele relata ainda que um estudo divulgado em junho de 2026 evidencia que o medicamento também apresentou perda de peso significativa em todas as fases da menopausa.
“Dados clínicos recentes em mulheres no período de peri e pós-menopausa registraram perda média de peso de 14% com o uso da medicação oral”, explica, em entrevista concedida ao Metrópoles durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), que acontece no Rio de Janeiro.
Progresso em combinações de hormônios contra a obesidade
Além dos medicamentos orais, a farmacêutica trabalha em frentes de medicamentos que atuam simultaneamente em múltiplos hormônios reguladores do metabolismo.
Entre as novidades para o futuro do tratamento da obesidade está a retatrutida, medicamento da classe das incretinas que atua simultaneamente sobre três receptores: GLP-1, GIP e glucagon — hormônios essenciais na regulação metabólica.
A retatrutida está em estudos de fase 3 com duração aproximada de 72 semanas. Nesse período, o medicamento registrou perda média de peso de 28%, sendo que mais de 60% dos participantes alcançaram redução superior a 30%. Além disso, o tratamento apresentou bons resultados na diminuição de sintomas em pacientes com lesão articular no joelho decorrente do excesso de peso.
Outro medicamento em teste é o bimagrumabe, que ainda está em fase experimental. A terapia é voltada não só para a perda de peso, mas também para a preservação da massa muscular durante o emagrecimento.
Já a elonarantida, da classe das amilinas, possui mecanismo de ação diferenciado em relação às incretinas tradicionais, e mimetiza um hormônio secretado junto com a insulina. O medicamento está atualmente em estudos de fase 3, com perfis de segurança em avaliação.
O repórter viajou para acompanhar o CBEM 2026 à convite da Eli Lilly.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Metrópoles.




