O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (5/8) para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic, em um cenário de elevada incerteza internacional.
O encontro ocorre sob influência direta da escalada da guerra no Oriente Médio e dos impactos do conflito sobre os preços globais de energia. Além das tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Na ata mais recente, o Copom destacou o aumento das incertezas no cenário externo.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse.
No entanto, afirmou que manter os juros altos por mais tempo ajudou a mostrar que essa política está funcionando, já que a economia começou a desacelerar.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, apontou.
Avaliação do mercado
Apesar de a inflação acumulada em 12 meses estar em 4,64%, acima do intervalo de tolerância da meta, parte do mercado financeiro avalia que há margem para continuidade no ciclo de cortes.
A Warren Investimentos avalia que, diante do cenário atual, o ideia seria manter a Selic em 14,25% ao ano, mas a comunicação do BC indica cortes.
“O Copom transmite ao mercado a informação de que buscará uma política monetária ótima, cuja função-objetivo não é apenas levar a inflação à meta no horizonte relevante, mas também levar em consideração outras variáveis, como a volatilidade nos preços dos ativos e dos agregados macroeconômicos. A decisão, que encontra respaldo teórico e é defendida por muitos economistas, também é, inevitavelmente, uma mudança relevante na função de reação do Banco Central”, avaliou.
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Segundo o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, o comitê deve manter a indicação de que a política monetária segue em processo de calibração, sem antecipar os movimentos seguintes.
“O comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista. A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência adicional na condução dos juros”, afirmou.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Cabe ao Copom decidir os rumos da política monetária, sempre com o objetivo de garantir a estabilidade dos preços.
- Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro, o que desestimula o consumo e os investimentos.
- Com menor demanda, a tendência é de desaceleração da atividade econômica e alívio nas pressões inflacionárias.
- Por outro lado, projeções de mercado indicam que há ceticismo quanto à possibilidade de a Selic voltar a patamares de um dígito no atual governo e durante o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.
Cenário externo é incerto
O avanço do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos elevou o nível de preocupação no mercado internacional, especialmente em relação ao petróleo.
Desde a intensificação das tensões, os preços do barril voltaram a subir, refletindo riscos de interrupções na oferta e maior instabilidade geopolítica.
Esse movimento impacta diretamente a inflação no Brasil, já que combustíveis mais caros encarecem o transporte e diversos insumos da cadeia produtiva, pressionando os preços ao consumidor.
Com a inflação ainda pressionada, o debate no mercado gira em torno da intensidade dos próximos cortes.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que estabelece um teto de 4,5%.
Além disso, as tarifas adicionais de 37,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros deve ser um dos principais motivos de incerteza externa neste Copom.
A medida deve afetar milhares de exportadores e uma cadeia grande de produtos será afetada.
Ainda, o veto da União Europeia a carne bovina brasileira também adiciona incertezas ao cenário, tendo em vista que o bloco econômico é um dos principais destino das exportações brasileiras.
Calendário do Copom
- 27 e 28 de janeiro;
- 17 e 18 de março;
- 28 e 29 de abril;
- 16 e 17 de junho;
- 4 e 5 de agosto;
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.




