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Meteorito que caiu em casa continha moléculas ligadas à origem da vida

Por Ravenna Alves
Instituto SETI

Um meteorito que atravessou o telhado de uma casa em Hillsborough, no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, continha aminoácidos, compostos de carbono e outras moléculas consideradas importantes para a química que antecedeu o surgimento da vida. A descoberta foi publicada em 15 de julho na revista Science Advances.

Além da composição incomum, os pesquisadores conseguiram reconstruir a trajetória da rocha espacial e identificaram sinais de que ela se originou em um antigo protoplaneta, um corpo celeste que começou a se formar nos primeiros tempos do Sistema Solar, mas nunca se tornou um planeta completo.

Os cientistas destacam que a rápida preservação dos fragmentos pelo morador da casa foi fundamental para evitar contaminações e permitir uma análise detalhada do material.

O que os pesquisadores encontraram

O meteorito foi classificado como um condrito carbonáceo, um tipo raro de rocha espacial conhecido por preservar compostos químicos muito antigos.

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do Metrópoles

As análises revelaram a presença de aminoácidos, compostos de carbono e outras moléculas prebióticas, substâncias que não representam vida, mas que podem participar das reações químicas que deram origem aos primeiros organismos na Terra.

Os pesquisadores também identificaram minerais formados pela ação de fluidos ricos em sal no corpo celeste de origem. Segundo a equipe, esse processo nunca havia sido observado nesse tipo de objeto e pode oferecer novas pistas sobre a evolução química dos primeiros corpos do Sistema Solar.

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Um fragmento de meteorito (à direita) que caiu no telhado de uma casa em Nova Jersey em julho de 2024 (à esquerda) contém vários ingredientes essenciais para a vida

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Imagem do meteorito no céu

Instituto SETI

Trajetória reconstruída

O meteorito caiu sobre a residência em 16 de julho de 2024. Naquele dia, pelo menos 60 pessoas em estados do nordeste dos Estados Unidos relataram ter visto uma intensa bola de fogo cruzando o céu. Outras testemunhas disseram ter sentido a onda de choque provocada pela passagem do objeto.

Com imagens registradas por câmeras da Sociedade Americana de Meteoros e por uma câmera residencial, os pesquisadores reconstruíram a trajetória da rocha e concluíram que ela veio da região interna do cinturão de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter.

A rocha se fragmentou ainda durante a entrada na atmosfera, e apenas os pedaços encontrados na casa foram recuperados.

Próximos estudos

Agora, os pesquisadores pretendem comparar os minerais presentes no meteorito com amostras coletadas nos asteroides Ryugu e Bennu pelas missões espaciais japonesas e norte-americanas.

Segundo a equipe, essa comparação poderá ajudar a entender melhor como compostos ligados à origem da vida se distribuíram pelo Sistema Solar durante sua formação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.