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Motos estão envolvidas em 2 a cada 3 acidentes graves ou fatais em SP

Por William Cardoso
William Cardoso/Metrópoles

Os sucessivos recordes de mortalidade já não dão conta, por si só, de expor o tamanho da tragédia das motocicletas no trânsito paulistano. Os dados abertos do Infosiga divulgados neste mês mostram que, de janeiro a agosto, as motos estiveram envolvidas em dois em cada três (67,3%) dos mais de 2.000 acidentes graves ou fatais ocorridos na cidade de São Paulo.

Nos primeiros oito meses do ano, 334 motociclistas morreram em decorrência de sinistros (acidentes) no trânsito da capital paulista, um aumento de 6,4% em relação a igual período de 2025 (314 óbitos) e recorde desde o início da série histórica, em 2015.

Mas as mortes que tiveram motocicletas envolvidas não param por aí. Segundo os dados abertos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), dos 658 acidentes fatais ocorridos na cidade, as motos tiveram alguma participação em 57,9% deles (381 casos, com 388 mortos).

Vale ressaltar que nem sempre quem morreu estava na moto. A vítima pode ser um pedestre atingido por um motociclista, por exemplo.

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Com relação aos acidentes graves, a participação das motos é ainda maior. Entre os 1.407 casos registrados, 1.009 contaram com motocicletas (71,7%).

De forma geral, as colisões foram os principais sinistros envolvendo motocicletas, com 77,2% dos casos. Porém, esse percentual muda quando são separados somente os acidentes graves e fatais.

Com relação aos acidentes graves, 735 foram provocados por colisões (72,8%). Já nos casos que terminaram com em morte de algum dos envolvidos, a participação das colisões cai para 46,2% (176 ocorrências).

Quem pilota pelas ruas da capital paulista sabe bem quais são os riscos. O motoboy Vagner Barcelos, 45 anos, já sofreu acidente grave no trânsito paulistano.

“Todos os dias, a gente vê um irmão acidentado nas vias. Só tem uma maneira de sobreviver em trânsito como o de São Paulo, de grande metrópole. É andar bem devagar, devagar mesmo, para que quando aconteça não seja grave. Velocidade máxima de 50 km/h, 60 km/h. É a maneira de sobreviver a isso”.

O motoboy também lembra que existe pressão dos estabelecimentos por mais velocidade nas entregas. “Nem sempre quer andar rápido, mas muitas vezes está sendo cobrado”, diz.

O que diz a Prefeitura de SP

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirma que conta com ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário e reduzir acidentes com motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas.

“A CET realiza durante todo o ano atividades educativas e possui iniciativas voltadas à segurança, destacam-se a Faixa Azul, com 233,3 km em 46 vias, beneficiando cerca de 500 mil motociclistas por dia”, diz, em nota.

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Segundo a prefeitura, há o Programa Operacional de Segurança em pontos com maior índice de acidentes, Áreas Calmas (30 km/h), Rotas Escolares Seguras, ampliação do tempo de travessia, das faixas de pedestres e das travessias elevadas, implantação de minirrotatórias e Frentes Seguras para motos.

“A CET também monitora diariamente os acidentes e reforça a fiscalização com equipes em campo, presença de agentes em cruzamentos, uso de equipamentos eletrônicos e painéis informativos, além da realização de campanhas educativas”, diz.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por William Cardoso.