ENTRETENIMENTO

MP aponta tentativa de descredibilizar vítima em caso de estupro coletivo no Rio

Por Zé Elias Mendes

MP aponta tentativa de descredibilizar vítima em caso de estupro coletivo no Rio

Promotora afirmou que adolescente de 17 anos foi alvo de tentativas de deslegitimar seu relato durante audiências; quatro réus negam o crime e dizem que a relação foi consensual

Os quatro réus em audiência (Crédito: Reprodução/Globonews)

Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos relacionados a estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima desse tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já tenha passado por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.

O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que houve “não poucas tentativas de descredibilizar a vítima” durante as audiências do processo contra quatro homens acusados de estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos. Nas alegações finais, a promotora pediu a condenação dos réus e sustentou que a jovem teria sido tratada como “objeto de satisfação sexual” pelo grupo. Os acusados negam o crime e afirmam que a relação foi consensual.

A GloboNews teve acesso aos depoimentos do processo, que tramita sob sigilo, e exibiu trechos nesta sexta-feira (25/9). Vitor Hugo Oliveira Simonin, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Bruno Felipe dos Santos Allegretti respondem pelo caso ocorrido em 31 de janeiro, em um apartamento de Copacabana, na Zona Sul. Um adolescente também foi apontado na investigação, em procedimento separado.

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Polícia do RJ procura por 4 jovens suspeitos de estupro coletivo contra adolescente de 17 anosReprodução Réu durante o interrogatórioCrédito: Reprodução/Globonews Réu durante o interrogatórioCrédito: Reprodução/Globonews Réu durante o interrogatórioCrédito: Reprodução/Globonews Crédito: Reprodução/Globonews Os quatro réus em audiênciaCrédito: Reprodução/Globonews

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“Completamente injustiçado”

No interrogatório, Vitor Hugo afirmou que se sente prejudicado pela acusação e alegou que a adolescente teria consentido com o que aconteceu. “Isso tudo me deixa completamente injustiçado e constrangido com a situação, sendo que todo momento foi algo consensual”, disse. Questionado se a jovem demonstrou incômodo, João Gabriel respondeu: “Não. Todo momento ela estava tranquila”.

Mattheus também sustentou que não percebeu qualquer reação de desconforto. “Ela saiu normalmente. Não reclamou de nada”, declarou. Bruno, por sua vez, apresentou uma hipótese para a denúncia: “Eu acho que ela se arrependeu de ter ficado com cinco meninos ou ela achou que estava sendo gravada, não sei”. Ao ser questionado se alguém havia gravado a situação, ele negou: “Não, em nenhum momento”.

Durante a audiência, o juiz mostrou aos acusados fotografias das lesões encontradas no corpo da adolescente e perguntou se eles haviam percebido os ferimentos enquanto estavam no quarto. De acordo com a reportagem, os quatro disseram que não viram as marcas e alegaram que o ambiente estava escuro. Na fase policial, o exame de corpo de delito apontou vestígios de conjunção carnal recente, atos libidinosos e violência real, além de lesões nas regiões genital, glútea e dorsal.

Ao pedir a condenação dos quatro réus por estupro, a acusação afirmou ainda que a violência narrada no processo não teria atingido apenas a liberdade sexual da adolescente, mas também reproduzido uma relação de domínio e controle sobre o corpo feminino. A defesa da família da vítima classificou a estratégia dos acusados como “vil” e “revitimizadora”.

Os quatro homens foram presos em março, após mandados expedidos no curso da investigação. João Gabriel e Mattheus se apresentaram à polícia em 3 de março; Vitor Hugo e Bruno fizeram o mesmo no dia seguinte. As defesas negam que tenha ocorrido estupro. João Gabriel, por exemplo, já havia afirmado anteriormente, por meio de seus advogados, que rejeitava “com veemência” a acusação de violência sexual e a tese de uma emboscada.

Com o encerramento das alegações finais da acusação e das defesas, caberá agora à Justiça analisar as provas e decidir pela condenação ou absolvição dos quatro réus.

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Tags:Estupro, MP


Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Zé Elias Mendes.