Na ação, a promotoria afirma ter elementos que indicam que o candidato tem ligação com o crime organizado. O MP Eleitoral fluminense defende que a candidatura seja barrada para evitar a possível interferência de grupos criminosos no processo eleitoral.
O MPE cita decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que orientam a rejeição de candidaturas diante de elementos de participação em organizações paramilitares ou outros grupos criminosos organizados.
“A Justiça Eleitoral não pode fechar os olhos à realidade nacional, em que organizações criminosas buscam se infiltrar na política, em uma simbiose entre a atuação como integrante do Estado e a continuidade delitiva. O enorme desafio institucional, neste contexto, é de combate à criminalidade na contrapartida do intransigente resguardo ao processo eleitoral e aos direitos e garantias fundamentais dos eleitores”, diz a manifestação.
Entre os pontos citados estão os vínculos familiares de João, a atuação dele em instituições ligadas ao Carnaval e sua aproximação política com Mariana de Souza (PP), candidata a deputada federal. Um relatório de inteligência mencionado no processo aponta possíveis vínculos de Mariana com integrantes do Comando Vermelho.
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A ação também cita uma informação enviada em 8 de agosto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal. Segundo o documento, uma investigação criminal em andamento encontrou referências que relacionariam João a atividades ligadas a organizações criminosas.
João é neto de Luizinho Drummond, morto em 2020 e apontado no documento como uma figura historicamente ligada ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. Ele também é sobrinho de Vinicius Drumond, citado em investigações relacionadas à contravenção e a outros crimes.
Além de ser vice-presidente executivo licenciado da Imperatriz Leopoldinense, que tinha o avô de João como patrono, ele também exerce função na área financeira da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).
“Analisados em sua totalidade, os elementos coligidos evidenciam a convergência entre a estrutura familiar historicamente relacionada à contravenção, a posição institucional do impugnado na Imperatriz Leopoldinense, sua atuação político-territorial e sua aproximação com Mariana de Souza, cuja candidatura e atuação comunitária apresentam conexão com estrutura territorial dominada pelo Comando Vermelho”, argumenta o Ministério Público Eleitoral.
João Drumond nega ligação com crime organizado
Em nota enviada ao Metrópoles, João Drumond afirmou ter recebido com “perplexidade e revolta” a manifestação do Ministério Público Eleitoral e classificou as acusações como caluniosas. O candidato disse acreditar que os argumentos apresentados pelo MPE serão rejeitados pela Justiça.
João afirmou apoiar medidas para afastar o crime organizado da política e negou qualquer participação no jogo do bicho ou envolvimento com facções e organizações criminosas.
“João apoia toda iniciativa para afastar o crime organizado da política do país e salienta que jamais teve participação no jogo do bicho ou envolvimento com quaisquer facções ou organizações criminosas”, diz a nota.
A manifestação também afirma que as acusações são baseadas em “narrativas desprovidas de qualquer prova idônea” e alegou que falsas denúncias têm sido usadas por “verdadeiros representantes do Comando Vermelho e do crime organizado”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Kevin Lima.




