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MPF abre inquérito para apurar atendimento de saúde a indígenas em Santa Rosa do Purus

Procedimento vai apurar medidas adotadas pelo DSEI Alto Rio Purus para garantir a continuidade da assistência às comunidades Madijá/Madiha/Kulina.

Camila Souza Por

O Ministério Público Federal (MPF) no Acre instaurou nesta terça-feira (8) um inquérito civil para apurar as medidas adotadas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Purus (DSEI-ARP) para garantir a continuidade do atendimento de saúde às comunidades indígenas Madijá/Madiha/Kulina, na região de Santa Rosa do Purus.

A investigação foi aberta por meio da Portaria nº 24/MPF/PR-AC/GABPR6-LMPS, assinada pelo procurador da República Luidgi Merlo Paiva dos Santos. O procedimento terá prazo inicial de um ano.

A apuração teve origem em uma representação recebida pelo MPF em 15 de outubro de 2025. O documento relatava que a equipe de saúde indígena de Santa Rosa do Purus havia sido desfeita em maio daquele ano.

Segundo a representação, a mudança teria prejudicado o vínculo entre os profissionais de saúde e as comunidades, além de afetar a continuidade dos atendimentos prestados aos indígenas Madijá/Madiha/Kulina.

Durante a apuração preliminar, o DSEI-ARP apresentou ao MPF informações sobre a situação da equipe. Segundo o órgão, em 2025 ocorreu uma situação excepcional após a morte de uma enfermeira que havia sido designada para substituir uma profissional que havia deixado a equipe.

Diante da necessidade de recompor o quadro, foi aberto um processo seletivo para a contratação de um novo enfermeiro.

Contratação emergencial

Posteriormente, o DSEI-ARP informou que o processo seletivo foi cancelado. Como alternativa, três enfermeiros foram contratados emergencialmente, inicialmente por três meses, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

O órgão também encaminhou ao MPF relatórios referentes às entradas das equipes de saúde em área indígena realizadas durante o primeiro semestre de 2026.

Apesar dos documentos apresentados, o Ministério Público apontou que não havia sido apresentado um cronograma dos próximos atendimentos destinados às comunidades indígenas da região de Santa Rosa do Purus.

Com a abertura do inquérito civil, o MPF deverá acompanhar as providências adotadas pelo DSEI-ARP e apurar se as medidas implementadas são suficientes para assegurar a continuidade da assistência de saúde às comunidades envolvidas.