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Mulher de Lito nega privilégio para obter remédio experimental e explica como conseguiu

Por Karol Gomes

Mulher de Lito nega privilégio para obter remédio experimental e explica como conseguiu

A autorização para a importação do ALN-6457 foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na sexta-feira (4/9)

Mila Seidl, esposa de Lito Sousa (Crédito: Reprodução Instagram @milaseidl)

Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Sousa, negou que o marido tenha sido beneficiado por qualquer tipo de privilégio para conseguir acesso a um medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob. Após a Anvisa autorizar, na sexta-feira (4), a importação do ALN-6457, substância ainda em fase pré-clínica e sem estudos em humanos para a doença, Mila rebateu especulações de que ministros, empresários ou órgãos públicos teriam atuado para viabilizar o tratamento e afirmou que a própria família, com apoio dos médicos de Lito, buscou a farmacêutica e cumpriu as etapas necessárias para obter a autorização. Diante da repercussão do caso, ela decidiu detalhar nas redes sociais as etapas percorridas até a liberação da substância e afirmou que pretende compartilhar as informações para orientar outras famílias que enfrentam doenças raras.

“Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras”, afirmou.

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Reprodução Instagram Mila Seidl, esposa de Lito SousaCrédito: Reprodução Instagram @milaseidl Lito Sousa e a esposa Mila SeidlFotos: Reprodução/ Instagram @lito e TV Globo Lito SousaCrédito: Reprodução YouTube @avioesemusicas Lito SousaCrédito: Reprodução Instagram @lito Reprodução Instagram

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A autorização para a importação do ALN-6457 foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na sexta-feira (4/9). Desenvolvido pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals, o composto ainda não possui registro para comercialização no Brasil e também não conta com representante legal da empresa no país.

O medicamento está em fase pré-clínica para doenças priônicas e ainda não passou por estudos formalmente iniciados em seres humanos para essa finalidade. Por esse motivo, a liberação ocorreu de maneira excepcional, dentro das possibilidades previstas para pacientes com doenças graves que não dispõem de alternativas terapêuticas.

De acordo com Mila, a família precisou reunir uma série de informações médicas e científicas para demonstrar a situação de Lito. Exames, documentos e materiais fornecidos pela própria farmacêutica fizeram parte da documentação apresentada durante o processo.

“A gente apresentou bastante documentação, estava bem robusto. Eu me preparei bastante. A gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo científico mesmo”, disse.

O procedimento foi protocolado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito vinha sendo acompanhado, depois que a farmacêutica aceitou o caso para o chamado uso compassivo.

Antes disso, a família havia tentado uma alternativa diferente: a inclusão do influenciador em um estudo experimental. Segundo Mila, apesar de Lito atender aos critérios necessários, não havia mais disponibilidade para novos participantes.

“A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento”, afirmou.

Família nega interferência de autoridades

Após a autorização, surgiram especulações nas redes sociais de que pessoas ligadas ao governo ou empresários teriam participado da obtenção do medicamento. Mila fez questão de negar essas versões e afirmou que a iniciativa partiu dela e de Lito.

“Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito”, disse.

Segundo o relato da esposa, a família buscou diretamente outra farmacêutica, apresentou o quadro clínico do influenciador e participou de uma reunião para discutir a possibilidade de acesso ao composto. A empresa teria concordado em disponibilizar o medicamento por meio do uso compassivo.

“Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo”, afirmou.

A partir da decisão da empresa, teve início uma série de procedimentos regulatórios nos Estados Unidos e no Brasil. O processo envolveu a farmacêutica, o hospital responsável pelo acompanhamento de Lito, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.

Mila também negou que a obtenção do medicamento tenha envolvido dinheiro público ou financiamento de terceiros.

“Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada”, declarou.

Mila quer ajudar outras famílias

Além de explicar a própria experiência, Mila afirmou que pretende tornar públicas as informações sobre o caminho percorrido pela família. A intenção é que outras pessoas em situações semelhantes possam entender quais são as possibilidades para tentar obter medicamentos experimentais.

Na avaliação dela, o principal obstáculo enfrentado durante o processo foi justamente a dificuldade de encontrar informações claras sobre o uso compassivo, a documentação necessária e os órgãos que precisam participar da análise.

“Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras. Eu tive que correr muito atrás para conseguir isso”, afirmou.

Mila relatou ainda que a urgência do quadro clínico foi considerada pelos órgãos responsáveis e que a análise acabou sendo acelerada. Apesar disso, o período de espera foi descrito por ela como angustiante, principalmente diante da velocidade com que a doença de Lito avançou.

“Mesmo esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana. E, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas. Mas eu entendo que eles também têm que estar respaldados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem simplesmente canetar, precisam analisar”, disse.

Para a esposa do influenciador, a experiência pode servir também para levantar uma discussão sobre a necessidade de mecanismos mais ágeis para pacientes com enfermidades graves e progressivas.

“Talvez isso traga luz para, a partir de agora, rever esses processos e criar fluxos um pouco mais rápidos para outras famílias”, afirmou.

Substância ainda não foi estudada em humanos

Apesar da autorização para importação, o ALN-6457 ainda não pode ser considerado um tratamento comprovadamente eficaz para a doença de Creutzfeldt-Jakob. O composto permanece em fase pré-clínica, sem resultados de pesquisas em seres humanos que demonstrem sua segurança ou capacidade de interromper ou retardar a progressão da doença.

A análise da Anvisa levou em conta, entre outros fatores, a evolução rápida e irreversível da enfermidade, a inexistência de alternativas terapêuticas disponíveis e a ausência de patrocinador ou representante da farmacêutica responsável pelo produto no Brasil.

Ainda não há informações divulgadas sobre a forma como o medicamento será administrado a Lito ou sobre a data exata do início do tratamento. Ao comunicar a autorização, Mila afirmou que a previsão era de que a substância chegasse ao país entre sete e nove dias.

Entenda a doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurológica rara e progressiva que, atualmente, não possui tratamento aprovado capaz de interromper ou reverter sua evolução.

A condição está relacionada aos príons, proteínas que sofrem uma alteração anormal e podem se acumular no cérebro, provocando danos progressivos às células nervosas. Entre as manifestações estão alterações de memória e comportamento, tremores e perda da capacidade de movimentação.

Aos 59 anos, Lito deixou o Hospital Israelita Albert Einstein na terça-feira (1º), depois de permanecer internado por mais de 20 dias. Desde então, ele recebe cuidados em casa, com acompanhamento de enfermeiros e de uma equipe multidisciplinar.

A família esclareceu que a adoção de cuidados paliativos não significa necessariamente que Lito esteja em fase terminal. Esse tipo de assistência tem como objetivo controlar sintomas, diminuir o sofrimento e preservar a qualidade de vida do paciente, enquanto a família continua buscando alternativas terapêuticas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou 547 casos confirmados da doença entre 2005 e 2021. De acordo com informações reunidas pela pasta, aproximadamente 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o surgimento dos primeiros sintomas, enquanto a sobrevida média é estimada em cinco meses.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Karol Gomes.