A mostra Mulheres no Cinema do Leste Europeu estreia nesta quarta-feira (25) na capital paulista. Com presença da premiada cineasta polonesa Hanna Polak no evento e a estreia nacional de um documentário sobre a Guerra da Ucrânia, de Eva Neymanna, a mostra reúne 23 filmes. Dirigidas por 16 mulheres de dez países da Europa Oriental, as obras serão exibidas até 2 de julho, no CineSesc, com ingresso a R$10. 

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“As especificidades das produções de mulheres do Leste Europeu estão relacionadas com a história desses países, como a da Segunda Guerra Mundial, a de vários países comunistas, mas, ao mesmo tempo, abordam temas universais como amor, guerra, orfandade, questões da adoção, que são universais, importantes para todas as mulheres”, disse a curadora Maria Vragova, em entrevista à Agência Brasil.
A curadoria buscou diversidade dos filmes tanto em relação aos países de origem quanto às épocas das produções.
“A gente começa com o filme dos anos 30, do século passado, e termina a mostra com o filme que estreou no Festival de Berlim deste ano, filme de 2025 que aborda um tema urgente como a guerra na Ucrânia”, disse.
Segundo os curadores, as obras constituem hoje documentos audiovisuais de relevância histórica. Um exemplo disso é a produção da cineasta Wanda Jakubowska, diretora de A última etapa (1948), primeiro filme realizado dentro de um campo de concentração. Filmado em Auschwitz, a obra tem como base as experiências pessoais da própria cineasta, que foi prisioneira no local.
A sessão de abertura da mostra, nesta quarta-feira (25) às 20h, com a exibição de Meu século XX (1989), será gratuita e aberta ao público. O longa, dirigido pela húngara Ildikó Enyedi, acompanha irmãs gêmeas separadas na infância, cujos caminhos se cruzam anos depois a bordo do Expresso do Oriente. O filme traça uma narrativa alegórica sobre o papel da mulher na era moderna.
Destaques
O filme Sapatos Rasgados (1933), da cineasta russa Margarita Barskaya, é um dos destaques, segundo a curadora. “Ela foi uma das mulheres cineastas pioneiras do cinema mundial. Neste filme, os atores não eram profissionais, ela acompanhou ao longo de muito tempo cada criança trabalhando, é um filme único na história mundial”, observou Vragova.
A obra narra a vida dos filhos de trabalhadores alemães nos anos que antecederam o fascismo. “Ela fez muito pouco cinema, foi censurada e esse filme nunca foi exibido no Brasil, é a primeira vez que ele será exibido no país, então com certeza é um dos filmes que eu destacaria”, acrescentou.
A cineasta Hanna Polak é a convidada especial da mostra. Pela primeira vez no Brasil, ela vem ao evento para sessões comentadas dos filmes As crianças de Leningradski (2005), indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem Documentário, e Algo melhor por vir (2014), vencedor de 23 prêmios internacionais. Ambos serão exibidos no dia 1º de julho, na sessão das 18h30.
Na sexta-feira (27), às 17h30, a diretora participa de um debate após a exibição de Nove Meses, de Márta Mészáros, sobre o cinema feito por mulheres no Leste Europeu e os limites entre ficção e documentário, com a presença de Carla Maia, Mariana Shellard e Maria Vragova. No último dia da mostra (2), às 16h30, após a exibição de Farol, de Maria Saakian, encerrando o evento, Polak participa de conversa sobre a obra.
A programação inclui duas produções inéditas no Brasil. Uma delas é Quando o relâmpago brilha sobre o mar (2025), de Eva Neymann, que estreou no Festival de Berlim. O documentário transforma, por meio de cenas cotidianas, sonhos e memórias, a cidade portuária de Odessa em um território marcado pela resiliência humana em meio à Guerra da Ucrânia. A outra é Um pequeno segredo noturno (2023), da diretora russa Natália Meshanínova.
A cineasta húngara Márta Mészáros, ainda em atividade e com uma carreira que ultrapassa 70 anos, tem sua produção marcada pelo diálogo entre ficção e documentário. Na mostra, cinco de seus filmes apresentam histórias de mulheres em busca de realizações pessoais, muitas vezes lutando contra o patriarcado dentro e fora de casa.
Sua obra de 1975, Adoção, ganhou o Urso de Ouro na Berlinale, atribuído pela primeira vez tanto a uma mulher quanto a uma pessoa húngara. Em Nove meses (1976), vencedor do prêmio Fipresci do Festival de Cannes, pela primeira vez na história do cinema europeu, há um parto verdadeiro sendo integrado a um filme.
A plataforma Sesc Digital terá em sua programação três filmes que fazem parte da mostra: o clássico da Estônia, Um encontro roubado (1989), de Leida Laius, e dois documentários da cineasta polonesa Hanna Polak, As crianças de Leningradski (2005) e Algo está por vir (2014). O público poderá assistir às obras até 30 de dezembro deste ano, gratuitamente, no site sescsp.org.br/lesteeuropeu ou no aplicativo Sesc Digital.




