Durante uma sessão na Câmara Municipal de Tarauacá, a vereadora Neirimar Lima, a Veinha do Valmar (PDT), fez um apelo direto à Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) cobrando a presença de mais pediatras no hospital local. A reivindicação da parlamentar, baseada em relatos da própria população, trouxe à tona uma deficiência estrutural que vai além da pediatria: a falta de médicos especialistas em geral nos municípios do interior do estado.
Em resposta à cobrança, a Sesacre divulgou nota reconhecendo a dificuldade na contratação de pediatras e afirmou que o problema é nacional, especialmente em áreas mais remotas. De acordo com a pasta, o governo do estado tem buscado soluções para amenizar a carência desses profissionais, com ações que incluem editais de contratação e articulações junto ao Ministério da Saúde para reforço na Atenção Básica.
A Sesacre reforçou, em seu posicionamento, que vem atuando para atrair especialistas por meio de incentivos financeiros e contratos temporários, mas destacou que o desafio está relacionado à baixa adesão de profissionais dispostos a atuar em regiões mais distantes e com estrutura limitada. A secretaria também mencionou o planejamento de novos programas de formação médica em parceria com universidades para tentar, a médio prazo, aumentar a presença de especialistas nas cidades do interior.
Enquanto as medidas anunciadas ainda não surtiram o efeito desejado, a realidade nos municípios acreanos continua a mesma: filas de espera, transferências para centros maiores e uma população cada vez mais insatisfeita com o acesso limitado a serviços de saúde especializados. A situação também sobrecarrega os profissionais da rede pública, que muitas vezes atuam em múltiplas funções ou precisam lidar com pacientes fora de sua área de especialização.
A cobrança da vereadora Veinha do Valmar ecoa os pedidos de outras lideranças municipais e comunitárias em todo o estado. Além de mais pediatras, há uma demanda crescente por políticas de interiorização da saúde especializada, com infraestrutura adequada, valorização dos profissionais e planejamento estratégico de longo prazo.
A população, por sua vez, espera que essas reivindicações resultem em ações concretas. O atendimento médico especializado é uma das chaves para prevenir agravos, promover qualidade de vida e garantir o direito básico à saúde, previsto na Constituição. No Acre, esse direito ainda parece distante para muitas comunidades.




