A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio em que funcionava o museu deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água se tornou uma constante mesmo depois de uma grande reforma em 2009.
“Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura”, relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque em entrevista à Agência Brasil.
Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos deixou as obras paralisadas por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, e as instalações internas ficaram sob até 1 metro de água.
Sem recursos para reparar os danos e tocar a obra, o museu se salvou por meio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações.
“Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados. Foram 10 anos pensando o que seria o novo museu”, afirmou.
No meio do caminho, houve a pandemia de covid-19, mas o museu não parou. Os diretores decidiram realizar uma série de encontros virtuais com artistas de vários estados do Brasil. No momento em que as pessoas tinham que ficar reclusas, participar de um evento cultural era um alívio, lembra o diretor.
Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito de Museu Praça – um lugar de encontro e de convivência, concebido para ter permanentemente um diálogo entre as artes plásticas de camadas populares e manifestações de dança e música.
“Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar, um lugar para vivenciar a arte e a cultura brasileira, para soltar pipa”, explicou Lucas sobre o projeto.
Referência popular
A diretora do espaço cultural, Angela Mascelani, disse que, desde 1976, a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque traz a característica de valorizar a produção das camadas populares.
“A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original e uma trajetória”, contou à Agência Brasil.
A diretora apontou a exposição que marcou o início das atividades do Museu do Pontal como um dos destaques da programação das cinco décadas de existência.
A mostra era composta por peças de artistas populares que Jacques Van de Beuque comprou ao vir morar no Brasil. Essa exposição foi realizada primeiro no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, na região central da cidade. Depois, foi levada para a antiga sede do museu, no Recreio.
Para Angela, o fato de ter passado pelo MAM deu mais reconhecimento e peso à exposição.
“Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte. Como se fosse por acaso que as pessoas chegassem às formas ou como se elas fossem somente comunidades artesanais”, avaliou.
“A gente se dedica a contar a história desses artistas e acompanhar suas trajetórias da mesma forma que se faz com as artes hegemônicas.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Cristina Índio do Brasil – repórter da Agência Brasil.




