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Músico do terror: professor transformou estúdio em "covil" do estupro no DF

Por Carlos Carone
Reprodução

A suavidade de acordes bem executados eram ouvidos por quem passava pela calçada de um conhecido estúdio de música em Samambaia. No centro da engrenagem de prestígio e aparente dedicação cultural estava Ozéas Leite Camelo, de 49 anos, homem de fala mansa, postura solícita e tido como referência no ensino instrumental da região. No entanto, por trás da batuta do mestre respeitável, ocultava-se um predador sexual.

A máscara de proteção ruiu nesta segunda-feira (24/8), quando investigadores da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia) entraram no local para cumprir um mandado de prisão preventiva. A cena encontrada pelos agentes sintetiza a frieza do investigado: no exato momento em que a polícia deu voz de prisão, Ozéas ministrava serenamente mais uma aula de música para uma criança.

Ozéas desenvolveu uma metodologia cruel para enredar suas vítimas. Aproveitando-se da inteira confiança depositada por pais que buscavam o desenvolvimento cultural de seus filhos, o professor isolava as alunas nas salas de ensaio do estúdio. A coluna Na Mira teve acesso exclusivo a detalhes envolvendo o padrão de ataque do criminoso sexual.

Terror paralisante

O modus operandi era sutil e progressivo. Sob a alegação técnica de que precisava auxiliar as jovens em exercícios de respiração, diafragma e postura corporal, Ozéas quebrava a barreira do contato físico indispensável ao respeito profissional.

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O toque guiado transformava-se, gradativamente, em importunação sexual e, no ápice do pesadelo, em violência. A investigação revelou que o criminoso era especialista na arte de amedrontar. Ele não apenas violentava; ele envolvia a vítima de tal forma que a pessoa passava a se sentir completamente sem saída, encurralada por um terror psicológico contínuo e paralisante.

O caso mais estarrecedor revelado pela 32ª DP envolve uma adolescente de apenas 16 anos. A jovem transformou-se em uma verdadeira refém emocional e física dentro do estúdio que deveria ser o seu refúgio de aprendizado. Sob forte coação moral e física, a vítima foi estuprada por dez vezes seguidas ao longo de sucessivas semanas.

Violência gravada

A perversidade do predador não se limitava ao abuso físico direto. A perícia técnica realizada pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo Instituto de Identificação (II) da PCDF confirmou a obsessão criminosa do professor. O investigado mantinha, no interior do estúdio, equipamentos de gravação estrategicamente ocultos.

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Por meio desses dispositivos camuflados, o professor registrava secretamente imagens de mulheres e alunas em situações de nudez total ou parcial, sem qualquer tipo de conhecimento ou consentimento. A análise pericial efetuada nos dispositivos eletrônicos e no telefone celular do autor confirmou a presença desse acervo clandestino.

Através dessas gravações íntimas, a Polícia Civil conseguiu identificar diversas outras vítimas que frequentaram o local. Em alguns casos, as apurações indicaram que a aproximação parecia consensual à primeira vista, contudo, a privacidade das vítimas era brutalmente violada pela captação ilegal de suas intimidades para a satisfação do criminoso.

Investigação minuciosa

O inquérito da 32ª DP indiciou Ozéas com base em vasta prova pericial e oral. O acusado responderá em concurso material, conforme o Artigo 69 do Código Penal, pelos crimes de estupro praticado por dez vezes contra a mesma vítima adolescente com emprego de grave ameaça (Artigo 213, caput, combinado com Artigo 71), importunação sexual praticada por duas vezes contra diferentes alunas no ambiente de aula (Artigo 215-A) e registro não autorizado de intimidade sexual praticado por duas vezes confirmadas mediante o uso de câmeras ocultas (Artigo 216-B).

O trabalho minucioso da 32ª DP, iniciado em 2024, uniu depoimentos cruzados, laudos psicológicos e perícias cibernéticas para fundamentar o pedido de prisão preventiva acolhido pela Justiça. A polícia não descarta a existência de outras vítimas que ainda não formalizaram denúncia, dado o longo período em que o acusado atuou no ramo de ensino musical em Samambaia.

O investigado permanece detido e à disposição da Justiça do Distrito Federal. A Polícia Civil reforça que o canal de denúncias anônimas permanece aberto para eventuais novas vítimas do falso mestre da música.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.