Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que não identificou participação de peritos ou de qualquer outro servidor da corporação no caso da advogada acusada de pedir R$ 4 mil à família de um cliente preso por tráfico de drogas.
Segundo a investigação, ela teria dito que o dinheiro seria usado para “subornar um perito” e apagar dados extraídos de um celular apreendido. O caso ocorreu em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira.
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do Metrópoles
“As diligências realizadas, contudo, demonstraram que não houve contato, negociação ou oferecimento de vantagem a qualquer perito ou policial civil. O que se apurou foi que a referência ao suposto agente público era utilizada como meio para convencer os familiares do investigado a entregar o dinheiro, sob a alegação de que seria possível interferir na produção da prova pericial”, disse.
Durante a investigação, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão e apreendeu o celular da advogada, que passou por perícia. Os investigadores também analisaram conversas encontradas no aparelho da mãe do homem preso.
O material reunido foi enviado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apresentou denúncia à Justiça.
A denúncia foi aceita, e a advogada tornou-se ré. A Justiça também determinou medidas cautelares relacionadas ao exercício da profissão e restringiu o acesso da investigada a determinados locais ligados à investigação e ao processo criminal.
Vídeo mostra conversa
Em um vídeo que circula nas redes sociais, gravado durante uma ligação telefônica, é possível ouvir uma conversa atribuída à advogada e a uma mulher.
No diálogo, a interlocutora menciona os R$ 4 mil que, segundo a conversa, seriam destinados a um perito, e afirma que já havia conseguido parte do dinheiro. Em seguida, demonstra receio de que o procedimento não desse certo. “Mas será, doutora, que o perito que tava lá vai conseguir, vai ser o mesmo? Será que vai dar certo mesmo, doutora? Eu fico com medo”, afirma.
A advogada responde que não seria necessário que fosse o mesmo profissional. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ele puxa no sistema. […] Ele simplesmente vai entrar no sistema e vai entrar dentro do telefone”, diz.
Na sequência, a mulher afirma que conseguiu parte do dinheiro e que o valor seria repassado à advogada para que ela o entregasse ao perito: “Eu consegui o dinheiro […], mas só pra poder ajudar eu ia passar, entendeu? Esse valor pra senhora. Pra senhora tá passando pra ele”.
Ainda durante a ligação, a advogada pede que fossem enviados, naquele mesmo dia, nome completo, CPF, número de telefone e, de preferência, e-mail. “A gente não pode perder nem mais um dia”, afirma. A mulher diz que conversaria com os pais do cliente para tentar conseguir o restante do dinheiro.
Quem é
Daniela Gomes Ibrahim é advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) desde setembro de 2007 e vinculada à subseção de Ponte Nova.
Segundo consulta ao cadastro da entidade, a inscrição profissional dela consta como ativa e definitiva, com atuação nas áreas cível, penal e trabalhista.
Em nota enviada ao Metrópoles, os advogados Moacyr Fialho Aguiar e Roberto Magalhães Júnior, responsáveis pela defesa de Daniela, afirmaram que estão acompanhando todos os andamentos do caso, em “estrito respeito às autoridades e ao Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais”.
“A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, e ressalta que qualquer manifestação pública de juízo de valor sobre os fatos, antes da apresentação formal da defesa técnica e do regular exercício dos procedimentos processuais cabíveis, seria precipitada e contrária às garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência”, diz o texto.
Segundo a defesa, Daniela tem 20 anos de carreira e “construiu trajetória pautada pela conduta ilibada e pelo compromisso técnico, granjeando o respeito da comunidade jurídica em que atua”. “É essa mesma trajetória que a defesa tem o dever e a honra de resguardar neste momento, com a serenidade de quem confia no regular curso da Justiça”, finaliza a nota.
A reportagem entrou em contato com a OAB-MG e aguarda um posicionamento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Ricci.




