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Novo laudo reforça que PM Gisele foi morta: “evento suicida” é descartado

Por Alfredo Henrique
Reprodução/Redes Sociais

Um novo laudo da Polícia Científica de São Paulo reforçou que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana não tirou a própria vida. O documento, juntado ao processo nessa terça-feira (1º/9), afirma que os vestígios encontrados no apartamento onde ela foi baleada contradizem a hipótese de suicídio e permanecem compatíveis com a intervenção de uma segunda pessoa.

O exame é uma novidade no processo contra o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto (imagem em destaque),  marido de Gisele e réu pela morte da policial. Ele segue preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.

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Tenente-coronel Geraldo Neto (esq) e desembargador em evento

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Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil

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Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel

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Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele

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Gisele Alves Santana

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Soldado foi ferida com a arma do marido

Arquivo Pessoal

Na segunda-feira (31/8), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um pedido de liberdade apresentado pela defesa e manteve a custódia por considerar existente risco concreto de interferência na produção das provas.

Questionamentos da defesa

O novo documento, obtido pela coluna, foi produzido justamente depois de questionamentos apresentados pela defesa de Geraldo.

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do Metrópoles

Em 2 de julho, o advogado do tenente-coronel pediu que a perita Amanda Rodrigues Marinone respondesse a novos quesitos formulados pelo assistente técnico defensivo.

A própria manifestação da defesa afirma que os questionamentos anteriores já haviam sido respondidos, mas que as respostas trouxeram novos detalhes sobre métodos, critérios de interpretação e fundamentos técnicos da reprodução simulada. O resultado, anexado nessa terça no processo, porém, não mudou a principal conclusão da perícia.

Segundo Marinone, a hipótese de suicídio foi submetida ao confronto com os vestígios e “falsificada por incompatibilidades materiais”. Já a possibilidade de participação de uma segunda pessoa resistiu ao mesmo teste, sem que fosse encontrado elemento material capaz de contradizê-la.

Sangue, fotos e apartamento em 3D

A perita também reforçou que a conclusão não depende apenas das manchas de sangue. Foram considerados, em conjunto, os diferentes vestígios e exames produzidos no caso.

Para reconstruir o apartamento, a Polícia Científica utilizou um scanner tridimensional e comparou as configurações da cena apresentadas por Geraldo Neto, a descrita pelos primeiros socorristas e a indicada pelas fotografias feitas após o disparo. O modelo foi construído a partir de 26 pontos de escaneamento, com erro médio global de apenas 0,7 milímetro.

Ao responder diretamente à defesa, Marinone foi taxativa ao afirmar que o conjunto formado pelos padrões de sangue e pelos demais elementos objetivos “contradizem a hipótese de evento suicida”.

Geraldo foi preso em março, um mês após a esposa ser encontrada mortalmente ferida, na sala do apartamento onde morava com o oficial.

Ao manter a prisão, no início dessa semana, o STJ citou a posição elevada ocupada pelo tenente-coronel na hierarquia da PM e a suspeita de condutas destinadas à eliminação de vestígios e alteração da cena.

O interrogatório de Geraldo Neto está marcado para o próximo terça-feira (8/9), após dois adiamentos. Ele mantém, assim como sua defesa, a versão de que Gisele se matou por não aceitar o fim do relacionamento com o oficial.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.