Geral

Novos dados mostram que a PrEP injetável tem quase 100% de eficácia

Por Ailton Oliveira
Viktoria Ruban/ Getty Images

Conforme dados divulgados nesta terça-feira (21/7), os resultados obtidos em dois estudos que testaram a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) injetável contra o HIV mostraram eficácia de quase 100%.

As conclusões da nova alternativa, o lenacapavir injetável, que pode ser administrado duas vezes ao ano, serão apresentadas na 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS, que acontecerá no Rio de Janeiro, de forma virtual, entre os dias 26 e 31 de julho.

Os dois estudos, PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que acompanharam os candidatos que decidiram continuar o tratamento com as injeções de lenacapavir a cada seis meses, identificaram que 95% das pessoas não apresentaram novas infecções por HIV.

A presidente da IAS, Beatriz Grinsztejn, co-presidente da Aids 2026 e diretora da Unidade de Pesquisa Clínica em HIV/Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz), destaca a importância do avanço científico dos métodos preventivos.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles Saúde e Ciência

“A ciência está avançando rapidamente, proporcionando-nos ferramentas mais eficazes de prevenção e tratamento do HIV. Mas esses avanços não podem salvar vidas se nunca chegarem às pessoas que precisam deles. Isso requer financiamento robusto e estável, além de um compromisso político”, disse.

Resultados dos estudos

Os dois estudos foram realizados com grupos diferentes: o PURPOSE 1 foi feito com mulheres cisgênero; e o PURPOSE 2 reuniu participantes homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias. Este último incluiu participantes brasileiros.

Em ambos, 95% dos pacientes que decidiram continuar o tratamento não apresentaram nenhuma nova infecção por HIV. Além disso, os dois grupos mostraram alta adesão às injeções: cerca de 96%.

Dos 3.004 participantes que receberam a injeção de lenacapavir, apenas quatro apresentaram infecção por HIV. Desses quatro, apenas um testou positivo na nova fase, já que três deles haviam apresentado testes positivos anteriormente.

Isso evidencia que a incidência foi muito baixa, provando que as injeções são altamente eficazes.

Além disso, segundo outros dois estudos com a participação de 1.200 pessoas, o ISLEND-1 e o ISLEND-2, voltados para pacientes que convivem com o HIV, a administração de um comprimido semanal — uma combinação de lenacapavir com islatravir — se mostrou tão eficaz quanto o tratamento já disponível atualmente.

Apesar de aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano, ainda não há uma previsão de quando o lenacapavir poderá ser distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS).

No setor privado, o valor do medicamento também ainda não foi definido, mas fora do país ele pode custar um valor médio de US$ 25 mil por pessoa ao ano, o que equivale a mais de R$ 127 mil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ailton Oliveira.