Ao perder para Lula, pela diferença minúscula de 0,63% dos votos totais, o direito de enfrentar Fernando Collor no segundo turno da eleição presidencial de 1989 — a primeira pelo voto popular desde o fim da ditadura de 1964 —, o ex-governador do Rio Leonel Brizola, do PDT, inicialmente chorou pitangas. Mas, depois, teve uma ideia.
Chamou o deputado Miro Teixeira para uma reunião no seu apartamento em Copacabana, com ampla vista para o mar. Ele o incumbiu de uma missão que deveria permanecer secreta, desse resultado ou não. Brizola estava convencido de que Lula perderia para Collor, que contava com o apoio maciço da direita.
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do Metrópoles
Àquela altura, fervia o caldeirão do PDT com a indefinição de Brizola quanto a apoiar Lula ou não. Um congresso extraordinário do partido fora convocado para deliberar a respeito no domingo, 26 de novembro, onze dias após o primeiro turno da eleição. Cerca de 2.600 delegados e militantes aguardavam Brizola no Riocentro.
À saída do seu apartamento, ainda hesitante sobre o que fazer, Brizola esbarrou em uma vizinha de prédio que, ao cumprimentá-lo, comentou:
— É, governador, vamos ter de engolir aquele sapo barbudo — referindo-se a Lula.
O clima no Riocentro era amplamente favorável ao apoio a Lula. Brizola rendeu-se à realidade ao dizer:
— A política é a arte de engolir sapo. Não seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, este sapo barbudo?
Foi delirantemente aplaudido. E aprendeu a lição de que o eleitor não espera a palavra do líder para decidir em quem votar, especialmente no segundo turno. O povo está cada vez menos bobo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.




