Eleição presidencial é sinônimo de crise institucional. A rima é pobre, mas o assunto é rico. A perspectiva de mudança no poder do Brasil dá origem a disputa violenta, com diversos golpes abaixo da linha da cintura. E não há juiz capaz de interromper o tiroteio. Nem os ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles, aliás, tornaram a situação ainda mais grave. Só depois das eleições, será possível restabelecer o ambiente de relativa tranquilidade na política nacional. Até o final de outubro, a troca de ofensas será a constante no cenário político brasileiro.
Há que se distinguir algumas proezas, neste teatro de agravos maiores ou menores. O ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, atualmente preso na Papuda, em Brasília, merece destaque. Audácia inacreditável. Conseguiu chegar perto das principais autoridades brasileiras. Corrompeu a maioria delas com dinheiro vivo, benesses e chuva de vantagens para esposas, filhos e protegidos. Os meninos receberam empregos fabulosos, cartões de crédito generosos, perspectivas profissionais maravilhosas, enquanto seus pais frequentavam convescotes temperados pelo melhor uísque e charutos cubanos de ótima procedência. Tudo isto à custa da sangria de aposentados e pensionistas de diversos estados brasileiros, desde o Rio de Janeiro até o Amapá. Exceção foi o Distrito Federal. O Banco Regional de Brasília foi saqueado e chegou à beira da falência. A população será convidada a pagar o prejuízo.
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do Metrópoles
Ao lado desta confusão, é preciso estar atento a um detalhe: o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o cubano ressentido, está em visita a três países no continente, Colômbia, Equador e Peru. Ele pretende aumentar o poder de Washington na região. Isolar a China. Na época da operação lava-jato os norte-americanos tiveram papel importante. Entregaram aos juízes de Curitiba provas do desvio de recursos ocorrido na Petrobras. Os supremos, tempos depois, reverteram a investigação e anularam provas até daqueles que confessaram ter colocado dinheiro público no bolso. Inocentaram a classe política. Tremendo favor, que merece generoso pagamento.
O súbito vigor do bolsonarismo tem origem na agitação que seus aliados fazem desde Washington. Os norte-americanos possuem bom serviço secreto, muito dinheiro e força bélica evidente. Eles podem influir na política brasileira. Na impossibilidade de fazer prevalecer a vontade norte-americana na Europa e no Oriente Médio, resta o exercício da força e do convencimento no quintal sul-americano. Neste momento, depois das aventuras de Trump pelo mundo, é razoável prestar atenção no trabalho dos bolsonaristas aliados aos norte-americanos.
A tradição política brasileira é a conciliação, desde a Proclamação da República. No atual caso, alguns ministros estão muito expostos. Em tempos recentes, Dias Toffolli foi flagrado em situação constrangedora. Varreram a sujeira para debaixo do tapete. Quando a temperatura retornar ao normal, os supremos estarão aptos a reconstruir parcerias e, de novo, promover o esquecimento geral. O acordo deverá abranger o presidente da República, já eleito e comprometido com as novas lideranças. No Brasil, as brigas são rituais. A constante é o acordo. Tem custo, mas quem paga é a população.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Blog do Noblat.




