O maior desafio para os formuladores de políticas públicas daqui para frente passará obrigatoriamente pelo esforço de se encontrar uma definição para o que venha a ser “Desenvolvimento”, adequada às necessidades e expectativas das sociedades na era do boom tecnológico e da desglobalização, notadamente no que diz respeito aos países do chamado Sul Global.
Não precisa ser um observador muito atento, nem especialista profundo, para reconhecer que, lá pelo século XVIII, a revolução industrial, juntamente com a inauguração da democracia moderna, foi um divisor de águas marcante para a conquista de níveis de qualidade de vida e prosperidade humanas inéditos na caminhada da humanidade até então.
Nesse modelo econômico ainda predominante, o conceito de desenvolvimento adotado nos quatro cantos da Terra tem considerado dimensões e desafios relacionados com as conquistas de uma vida confortável, com a redução das formas de violência, com saúde física e mental, cultura, convívio, entretenimento, entre outras expressões do direito e da liberdade.
Contudo, o redesenho geopolítico internacional, somado aos impactos crescentes da mudança climática descontrolada, recoloca nas mesas de debate questões como a desigualdade social, o colapso dos sistemas vitais do planeta, as transformações demográficas, o desemprego estrutural tecnológico, a democracia, o acesso e propriedade dos recursos naturais, imigrações, crime organizado, o avanço da Inteligência Artificial, a consolidação da influência política e financeira das big techs e, como sempre, guerras por motivação econômica e religiosa. É exatamente nesse ponto que se dá a necessidade de reflexão sobre o que se entende neste século XXI por Desenvolvimento e quais estratégias estarão aderentes a essa definição atualizada, especialmente no que se refere aos interesses e perspectivas dos países do Sul Global.
Felipe Sampaio: Cofundador do Centro Soberania e Clima; atuou em grandes empresas, no terceiro setor e organismos internacionais; foi empreendedor em mineração; dirigiu o sistema de dados e estatísticas do Ministério da Justiça; ex-diretor do Instituto de Estudos de Defesa no Ministério da Defesa; foi subsecretário de Segurança Urbana do Recife.




