Dias após o governo de Nicarágua aprovar a reforma que excluiu a oposições das eleições, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reúne para discutir a situação no país caribenho. O encontro será realizado nesta quinta-feira (3/9) em Washington, Estados Unidos, às 14h30 (13h30 pelo horário de Brasília).
Segundo a agenda do órgão, representantes na OEA devem discutir os preparativos para a 31ª reunião de consulta dos ministros das Relações Exteriores da organização, com foco em debater a crise política em Nicarágua.
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do Metrópoles
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Daniel Ortega
Jesus Vargas/Getty Images2 de 4Jorge S. Cabrera A./LatinContent via Getty Images3 de 4
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua
Presidência da Nicarágua/Cesar Perez/Handout via Reuters4 de 4
Daniel Ortega e Rosario Murillo
Gregorio Marrero/LatinContent via Getty Images
O que é a OEA?
- A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi fundada em 1948.
- O bloco era composto, originalmente, por 35 países das Américas.
- Venezuela e Nicarágua, contudo, se retiraram da OEA após críticas da organização sobre a democracia em ambos os países.
- É na OEA que nações da região realizam discussões políticas, sociais e jurídicas, além da cooperação entre os países membros e a solução de conflitos.
Crise em Nicarágua
A crise política em Nicarágua, que enfrenta um longo processo de erosão da democracia segundo boa parte da comunidade internacional, começou em julho deste ano.
Durante uma rara aparição, o presidente do país desde 2007, Daniel Ortega, chegou a descartar novas eleições em Nicarágua para “impedir a volta da oposição”.
Dias após o discurso de Ortega, realizado em 20 de julho, o assunto passou a ser discutido pelo Parlamento de Nicarágua. Mas, diante da repercussão internacional negativa, o governo do país deu um recuo — que não teve efeito prático.
A copresidente do país e esposa de Daniel Ortega, Rosario Murillo, disse que o processo eleitoral nicaraguense não seria cancelado. Ela, contudo, anunciou que a Assembleia Nacional da Nicarágua iniciaria discussões sobre reformas constitucionais, com o objetivo de eleições “livres, dignas e soberanas”.
Na terça-feira (1º/9), o Parlamento de Nicarágua aprovou as mudanças constitucionais, que vão impedir a participação de “golpistas e traidores da pátria” nas eleições — como costumam ser classificados os opositores do governo sandinista.
Candidatos e partidos políticos sustentados por “financiamento estrangeiro” também estão proibidos de participar do processo eleitoral do país, há anos questionado pela comunidade internacional e observadores.
Além disso, a Assembleia Nacional aprovou uma mudança para aumentar de seis, para sete anos, a duração de mandatos políticos no país. A mesma regra também passa a valer para os chefes das Forças Militares e das Forças Policiais.
O pacote de reformas ainda precisa passar por outra votação no Parlamento de Nicarágua, prevista para acontecer em 18 de janeiro de 2027. A segunda aprovação não deve enfrentar grandes obstáculos, já que a grande maioria dos membros da Assembleia Nacional fazem parte do partido de Daniel Ortega, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).
A previsão é de que uma nova eleição, sem a oposição, seja realizada no país em novembro do próximo ano.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.




