Geral

ONU propõe a candidatos medidas contra desigualdades de gênero

Por Thays Martins
Arte/Metrópoles

A Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU) lançou 10 propostas direcionadas a candidatos e candidatas para combater as desigualdades de gênero no país. Em carta aberta, a instituição disse que as ações têm como intuito que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria da população. 

As medidas englobam questões como participação política, disputa eleitoral em pé de igualdade, fim da violência política, vida sem violência, cuidado, renda e clima.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

Veja as 10 propostas:

  • Presença feminina na política – Assumir a paridade como meta. Definir prazos e metas numéricas para ampliar a presença de mulheres, em toda a sua diversidade, nos cargos eletivos, cargos de nomeação, lideranças do Legislativo e na direção dos partidos. Publicar os resultados para que a sociedade acompanhe de perto.
  • Disputa eleitoral – Fazer valer as cotas eleitorais, com fiscalização e dinheiro de campanha chegando às candidatas na hora certa e em partes justas, especialmente às mulheres negras e que enfrentam múltiplas discriminações. Cobrar transparência dos partidos, responsabilizar quem descumpre as regras e abrir espaço para as mulheres na direção partidária.
  • Violência política de gênero e raça – Fazer a Lei 14.192/2021 funcionar na prática e no ambiente digital. Fortalecer os canais de denúncia acessíveis, oferecer proteção para quem denuncia e garantir resposta coordenada entre as instituições. Publicar dados oficiais sobre a violência política e oferecer formação contínua a quem atende os casos, com atenção às mulheres negras e indígenas, que são as mais atingidas.
  • Violência – No mundo, uma em cada três mulheres sofre violência ao longo da vida. Cerca de 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024, uma a cada dez minutos. No Brasil, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, 65,1% delas negras e 62,5% mortas dentro da própria casa.
  • Machismo – Tratar o machismo como problema público, com uma estratégia permanente e financiada para mudar as normas que naturalizam a violência e limitam os direitos das mulheres. Alcançar escolas, famílias, comunidades, mídia, redes digitais, instituições públicas e privadas. Educar para a igualdade desde a infância. Envolver homens e meninos, responsabilizar agentes públicos e empresas que reproduzem estereótipos e financiar as organizações de mulheres que lideram, acompanham e avaliam essa mudança.
  • Direito de cuidar e ser cuidada – Colocar em prática o Plano Nacional de Cuidados em cada território, com orçamento, e ampliar creches e serviços de cuidado para alcançar todas as mulheres, em horários que caibam na jornada de quem trabalha. Garantir formação, contrato formal, salário digno e proteção social às trabalhadoras do cuidado.
  • Renda – Garantir às mulheres salário igual, trabalho formal e proteção social, com políticas que andem juntas: qualificação, cuidado, transporte e inclusão digital precisam de abordagem integrada. Abrir acesso a empregos verdes, crédito, assistência técnica, mercados e compras públicas.
  • Clima – Fazer o financiamento climático chegar a quem protege o território: critérios de gênero e raça nos fundos que já existem, regras mais simples para que organizações comunitárias consigam acessálos e fundos dedicados que repassem recursos diretamente às iniciativas lideradas por mulheres.
  • Mudanças climáticas – Garantir a participação paritária e efetiva de mulheres, especialmente indígenas, negras, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais, em órgãos de governança climática e na formulação e implementação de políticas. Implementar metas de representação, mecanismos formais de consulta e apoio à formação de lideranças.
  • Política climática – Garantir que toda política climática questione a quem ela alcança e quem ela deixa de fora. Isso significa gênero e raça como critério obrigatório, orçamento, metas e dados que mostrem o efeito real sobre mulheres e pessoas negras, avaliações de impacto que corrijam o rumo quando o resultado for desigual.

Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thays Martins.