
Uma operação do Departamento de Investigação sobre Entorpecentes (Denarc) revelou, em Manaus (AM), um sofisticado esquema de tráfico que utilizava uma mansão de alto padrão como depósito e ponto de distribuição de drogas. No local, agentes encontraram cerca de 40 quilos de “cocaína negra”, uma versão modificada do entorpecente desenvolvida para burlar cães farejadores e testes rápidos.
A mansão, localizada no bairro nobre da Ponta Negra, estava equipada com heliporto, campo de futebol e ampla estrutura de lazer características que, segundo o Denarc, “a princípio, a colocavam acima de qualquer suspeita”. No entanto, investigações apontavam que o imóvel funcionava como base de armazenamento para o tráfico internacional.
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Como a droga foi localizada
Na busca manual, os policiais descobriram fundos falsos em móveis e quadros da casa. Dentro deles estavam os pacotes da chamada cocaína negra, que não reage aos testes preliminares e não exala o odor tradicional identificado pelos cães.
“Os criminosos modificam a droga com carvão ativado e corantes, formando um complexo químico capaz de enganar tanto os animais quanto os reagentes”, explicou a perita Midori Hiraoka.
Alto valor no mercado internacional
Segundo o delegado-geral Bruno Fraga, a cocaína negra possui alto valor agregado por ser difícil de detectar podendo ser vendida por um preço até dez vezes maior que o da versão comum. A investigação indica que o entorpecente veio do Peru e tinha como destino final a Austrália, um dos mercados mais lucrativos do mundo para o tráfico.
Rota tradicional do tráfico pela Amazônia
A droga teria chegado ao Amazonas pela rota do rio Solimões, que atravessa a Amazônia desde a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A via fluvial, usada há décadas por organizações criminosas, hoje é controlada por facções como o Comando Vermelho.
Somente em 2024, segundo o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Vinícius Almeida, o estado apreendeu 43,2 toneladas de drogas, um recorde histórico. Em 2025, o número já ultrapassa 39 toneladas.
Na mansão, foram presos os caseiros German Alonso Pires Rodrigues e Jeyme Farias Batalha, ambos peruanos. A defesa informou que solicitou um novo depoimento, mas não comentou sobre o conteúdo apreendido.
A proprietária da mansão, a peruana Liege Aurora Pinto da Cruz, de 74 anos, estava fora do país no dia da operação e permanece no exterior. Em nota, sua defesa afirmou que ela se colocou à disposição das autoridades e que utilizava a casa apenas em finais de semana. O local onde a droga foi encontrada, segundo a nota, seria um anexo utilizado exclusivamente pelos caseiros.
Por Fantástico
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