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Orgulho Lésbico: jovem conta como 1ª vez com uma mulher mudou sua vida

Por Julia de Mesquita
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No Dia do Orgulho Lésbico, celebrado nesta quarta-feira (19/8), histórias de descoberta também ajudam a mostrar que não existe uma única forma de entender a própria sexualidade. Para Manuela Barbosa, jovem de 21 anos, esse processo começou há seis anos, quando uma brincadeira entre amigas acabou levando a sua primeira experiência com uma mulher.

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Como tudo começou

No primeiro ano do ensino médio, Manuela morava no Canadá e fazia parte de um grupo de oito amigas que costumava se reunir no vestiário durante o horário escolar e, depois das aulas, na casa de uma delas. Em um desses encontros, o grupo inventou um jogo em que a primeira a beijar todas as outras ganharia um prêmio.

“Foi nesse ‘rolê’ que tive minha primeira experiência com mulheres. Foi ali que todas nós entendemos um pouco mais sobre a nossa sexualidade”, conta ao Metrópoles.

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Embora se entendesse como bissexual na época, a jovem afirma que sempre se interessou mais por mulheres. A sensação, no entanto, nem sempre foi positiva, já que ela cresceu sem qualquer representatividade em seu círculo social.

Devido a esse medo, acabou também se relacionando com homens enquanto explorava a curiosidade pelo feminino.

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A primeira vez

Durante as primeiras ficadas com garotas, uma experiência íntima com uma das amigas fez com que ela começasse a entender o que sentia. “Nunca tinha sentido nada tão intenso e real com outra pessoa”, lembra. 

A primeira vez que transou com uma mulher aconteceu pouco depois, com uma menina com quem já estava ficando. Com a mãe viajando, decidiu convidá-la para sua casa — pois, em suas palavras, as duas já haviam se aproximado outra vezes e tinham uma vontade acumulada.

Para fazer jus à fama de cuidado das lésbicas, arrumou o quarto, redecorou o espaço e até acendeu um incenso antes da chegada.

Experiência foi um divisor de águas

Depois que tudo rolou, Manuela afirma que não teve muitas dúvidas sobre o que aquela experiência significava. “Aquilo era a resposta”, comenta sobre o que passou em sua cabeça. “A melhor uma hora que eu pude viver naquela idade”, brinca.

De acordo com ela, tudo que conseguia pensar, à época, era quando seria a próxima vez.

Não é simples como parece

Apesar de ter sido positiva, a descoberta também veio acompanhada de inseguranças. Por ser uma mulher desfeminilizada, a jovem tinha medo de como deveria se comportar durante o sexo e carregava algumas questões com o próprio corpo.

“Eu demorei três meses para me permitir tirar minha camisa e ser tocada. Pensava que precisava ser sempre ativa e nunca desejada”, relembra.

Com o tempo, essa percepção acabou mudando e, segundo ela, uma das coisas que mais a marcaram naquela primeira vez foi justamente estar diante de um corpo como o seu. “Foi a primeira vez que pude tocar em uma mulher, então senti como se estivesse me tocando”, relata.

É mais fácil explorar um corpo semelhante

Além disso, Barbosa revela que passou a se expressar mais pela forma como se vestia, pesquisou sobre a comunidade lésbica e passou a se reconhecer mais nela. Ao mesmo tempo, também se distanciou dos homens e, posteriormente, começou a namorar e a levar a pauta lésbica para o dia a dia.

Liberdade de ser

Hoje, aos 21 anos, a jovem acredita que aquela experiência representou mais do que o primeiro sexo uma mulher: foi quando, de fato, entrou em contato com uma parte essencial da própria identidade.

Para quem ainda tem medo de viver esse processo, Manuela reconhece que a descoberta pode assustar, mas considera que vale a pena.

“Não é um bicho de sete cabeças como pode parecer, e eu acho que o diálogo é essencial para que a experiência seja tranquila também”, conclui.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Julia de Mesquita.