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Pastor investigado em operação contra Comando Vermelho morre de câncer

Por Larice de Paula
Imagem cedida ao Metrópoles

Em julho, Nivaldo, a esposa e a filha foram alvos de investigação da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo a Polícia Civil, a família participava de um projeto religioso dentro de unidades prisionais de Mato Grosso. A investigação apontou que o grupo teria utilizado o acesso aos presídios para favorecer integrantes de uma organização criminosa.

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Segundo as investigações, os integrantes do grupo utilizavam o acesso a unidades prisionais proporcionado pela atividade missionária para manter contato com presos ligados à facção, transmitir recados, aproximar familiares de criminosos, movimentar recursos financeiros e prestar suporte logístico à organização criminosa.

Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados e determinou, temporariamente, que eles fossem impedidos de ingressar em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

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do Metrópoles

As investigações tiveram início após uma denúncia anônima informar que integrantes da família estariam utilizando um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e entregar celulares, carregadores e outros objetos proibidos a líderes do Comando Vermelho (CV).

Ao longo das apurações, os investigadores identificaram que o grupo mantinha comunicação frequente com presos e foragidos ligados à facção. Segundo a Polícia Civil, os integrantes da família também repassavam mensagens entre criminosos presos e pessoas em liberdade e intermediavam o contato entre lideranças do CV e familiares de integrantes da organização.

Outro eixo da investigação envolve um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a Polícia Civil, integrantes da família receberiam valores atribuídos ao Comando Vermelho e utilizariam contas bancárias de parentes e terceiros para fracionar depósitos, realizar sucessivos repasses e ocultar a origem dos recursos.

Os investigadores também encontraram indícios de que parte desses valores teria sido utilizada para custear viagens, comprar veículos e pagar procedimentos estéticos.

As apurações apontam ainda que integrantes da família viajaram diversas vezes para o Rio de Janeiro, onde teriam frequentado uma comunidade apontada como área de domínio do Comando Vermelho.

Segundo a polícia, foram encontrados vídeos e fotografias dos investigados ao lado de criminosos foragidos e de homens armados com fuzis, pistolas, revólveres e rádios comunicadores. Também foram identificados registros de crianças portando armas e de investigados manuseando armamentos.

Os investigadores localizaram ainda registros de videochamadas entre mulheres ligadas ao projeto religioso e lideranças da facção. Em um dos vídeos, um criminoso foragido aparece conversando por chamada de vídeo enquanto um comparsa efetua disparos de fuzil em uma comunidade.

A Polícia Civil também encontrou conversas nas quais uma das investigadas teria solicitado a aplicação de um “salve” contra um homem acusado de furto.

No vocabulário utilizado por facções criminosas, a expressão “salve” pode ser empregada para determinar uma punição ou represália contra pessoas que descumprem regras impostas pela organização.

Além disso, os policiais investigam diálogos relacionados à negociação de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família.

A jovem presa preventivamente é apontada pela investigação como responsável por utilizar a estrutura familiar e o projeto religioso para facilitar a comunicação e prestar apoio operacional a integrantes do Comando Vermelho, tanto presos quanto foragidos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larice de Paula.