Belo Horizonte — A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que investigou a pastora Renata Kelly Rocha Vieira por agressões e ofensas contra o entregador Luis Henrique Godzikowski de Souza, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. No relatório final, concluído nesse domingo (16/8), ela foi indiciada por lesão corporal, difamação e injúria.
O caso aconteceu em 16 de julho, no bairro Cabral. Segundo a investigação, Luis Henrique fazia a entrega de móveis comprados por Renata quando percebeu que um sofá não caberia no elevador do prédio. Conforme a Polícia Civil, após o imprevisto, a investigada teria começado a agredir e insultar o entregador.
Testemunhas, entre elas o zelador do condomínio, relataram que Luis Henrique não reagiu às agressões e tentou apenas se afastar.
Após o episódio, Renata também teria feito publicações contra o entregador em seu perfil no Instagram, que possui mais de um milhão de seguidores. Segundo o inquérito, ela o chamou de “bandido”, “vagabundo”, “canalha” e “oportunista maldito”, além de fazer afirmações sobre a orientação sexual dele.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Por causa da divulgação das ofensas nas redes sociais, a Polícia Civil considerou uma causa de aumento de pena prevista para crimes contra a honra cometidos ou divulgados pela internet.
Entenda o caso:
- A briga ocorreu na quinta-feira (16/7), em Contagem, na Grande BH.
- Vídeos mostram Renata Vieira dando tapas no entregador, jogando uma pedra no trabalhador e entrando em luta corporal com ele.
- A pastora afirma que foi agredida primeiro e que apenas reagiu.
- Pessoas ligadas ao entregador dizem que a discussão começou durante a entrega de um sofá.
- Renata mostrou hematomas, passou por atendimento médico e fez exame de corpo de delito.
- No sábado (18/7), ela admitiu que errou, mas disse que apenas revidou agressões.
- A motivação política alegada pela pastora não foi confirmada.
- A Polícia Civil investigou o caso e a indiciou por três crimes: lesão corporação, difamação e injúria.
Pastora queria ser candidata do PL
Em julho, o PL de Minas Gerais informou que não registraria a candidatura de Renata Vieira a deputada estadual após a repercussão do caso. Renata se apresentava como pré-candidata pelo partido.
“O PL Minas reafirma que não compactua com qualquer forma de agressão, violência ou conduta incompatível com os princípios do respeito, da civilidade e da responsabilidade que devem nortear a atuação de todos os seus filiados”, dizia a nota do partido.
O que diz a defesa
Em depoimento, Renata afirmou que agiu em legítima defesa e que teria sido vítima de perseguição política e agressões do entregador. Segundo a versão apresentada por ela, Luis Henrique teria chamado a investigada de “piranha do PL” e chutado suas pernas.
A Polícia Civil, porém, afirmou que a versão não foi confirmada pelas imagens de câmeras de segurança e por vídeos feitos por testemunhas. Conforme a conclusão do inquérito, os registros indicam que Renata iniciou as agressões e não mostram manifestações de cunho político por parte do entregador durante o episódio.
Ainda segundo o relatório, as lesões apresentadas pela investigada teriam ocorrido durante as próprias investidas contra o entregador. O advogado da vítima, Mariel Marra, destacou que o indiciamento encerra apenas a fase de investigação e não representa uma condenação.
“Considerando, em tese, a soma das penas dos três delitos, a faixa abstrata indicada é de 1 ano e 3 meses a 5 anos e 6 meses de detenção, sem prejuízo da aplicação de multas e de outras consequências jurídicas cabíveis”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que “a pena efetiva somente poderá ser definida pelo Poder Judiciário após o regular andamento da ação penal”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Ricci.




