Geral

Pela 2ª vez, interrogatório de coronel acusado de matar PM Gisele é adiado

Por Julia Gandra
Reprodução/ Polícia Militar

O interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi adiado pela segunda vez. O depoimento estava marcado para esta sexta-feira (28/8), mas foi remarcado para o dia 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O interrogatório estava marcado inicialmente para 3 de julho, mas foi adiado pela primeira vez a pedido da defesa e remarcado para 28 de agosto. Agora, o depoimento foi novamente adiado e ficou marcado para 8 de setembro.

A mudança ocorreu após um novo pedido da defesa, que aguarda a inclusão de um laudo suplementar no processo. Segundo o advogado José Miguel da Silva Júnior, defesa da família da PM Gisele, o documento ainda não foi anexado aos autos e, por isso, o interrogatório não poderá ocorrer na data prevista.

11 imagens1 de 11

Gisele foi encontrada morta em fevereiro

Redes Sociais/Reprodução2 de 11

Gisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto

Redes Sociais/Reprodução3 de 11

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

Arquivo pessoal4 de 11

Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

Polícia Civil/Reprodução5 de 11Reprodução/TJM6 de 11

Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil

Reprodução/TJM7 de 11

Policiais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia

Reprodução/Polícia Civil8 de 11Reprodução/TJSP9 de 11Reprodução/TJSP10 de 11

Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele

Arquivo pessoal11 de 11Fabio Vieira/Especial Metrópoles

Relembre o caso

  • A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
  • Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
  • Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
  • Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
  • Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
  • A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
  • A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
  • Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

Desembargador não está entre testemunhas arroladas

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do tenente-coronel e para quem Geraldo ligou após o disparo, não foi arrolado como testemunha para a audiência de instrução. Os autos mostram que tanto a acusação quanto a defesa entenderam que sua participação, embora relevante no dia dos fatos, não era necessária ou pertinente para a prova do crime em si.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles SP

O magistrado foi até o apartamento na manhã em que Gisele foi encontrada morta e orientou o tenente-coronel. Antes disso, o militar havia ligado diversas vezes para o desembargador.

Cogan relatou à Polícia Civil que, naquela manhã, havia acabado de sair de uma aula de ginástica, quando recebeu uma ligação do coronel, que falava de forma acelerada e nervosa. Registros da Polícia Científica, obtidos pelo Metrópoles, mostram que esse contato não foi imediato nem único.

Antes de conseguir falar pela primeira vez com o desembargador, às 8h04, o tenente-coronel tentou contato, ao menos três vezes, entre 8h02 e 8h03, sem sucesso. Há ainda registros de novas oito tentativas até que, por volta das 8h41, o magistrado atende novamente à chamada do oficial.

Além do desembargador, Geraldo Neto já havia feito outras ligações, tentando acionar o 190, não aguardando atendimento em um primeiro momento. Também falou com um superior e, só depois, voltou a buscar contato externo, incluindo o magistrado.

Prisão do coronel

Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Julia Gandra.