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Filmes indígenas estão nas salas de cinema, mostras, festivais e nas plataformas de streaming. Ganham prêmios e reconhecimento. Mas para acessar esses espaços é preciso superar barreiras. Uma delas é a do financiamento.
Mari Corrêa, idealizadora da rede Katahirine explica que os editais costumam exigir documentos que as cineastas têm dificuldade para fornecer, especialmente as que moram nos territórios.
“Alguns editais exigem que o proponente tenha uma empresa, uma produtora, por exemplo. Não pode concorrer como pessoa física. Isso praticamente elimina a possibilidade de concorrerem ao financiamento”.
É o caso de Larissa Tukano. Ela é cineasta e artista visual, mas diz que não procura editais porque acha a linguagem difícil. “Pedem também uma experiência que não podemos comprovar. E a gente sente que esses concursos não nos contemplam”, diz.
Um outro olhar
Larissa defende o modo de fazer cinema indígena. Ela diz que ao filmar a própria comunidade, esses cineastas têm um olhar diferente, um respeito pelo tempo das pessoas que estão sendo filmadas. “Podemos conversas na nossa própria lingua e isso torna a conversa mais íntima. Também sabemos o que pode e o que não pode ser filmado”, explica.
Mari Corrêa também destaca que o cinema indígena segue a própria lógica de produção.
“Os roteiros não são feitos da forma ocidental de entender um roteiro. A presença do coletivo é muito forte e as decisões são tomadas de modo menos hierarquizado, dentro da comunidade.”
Serviço
O livro Ler o vento, filmar o mundo: pesquisa-mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil , idealizado pela Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas – será lançado nesta quinta-feira, 17 de setembro, as 14h no Cine Brasília, em Brasília.
A entrada é gratuita. No mesmo dia será lançado também o livro Diretrizes para um audiovisual ético com povos indígenas.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Iara Balduino.




