Ícone do site YacoNews

Pesquisa mostra desafio de cineastas indígenas para financiar filmes

Ator Rui Rezende morre aos 87 anos, no Rio de Janeiro

Versão em áudio

Filmes indígenas estão nas salas de cinema, mostras, festivais e nas plataformas de streaming. Ganham prêmios e reconhecimento. Mas para acessar esses espaços é preciso superar barreiras. Uma delas é a do financiamento.

Pesquisa da Rede Katahirine com 60 cineastas de 40 povos indígenas mostra que cineastas indígenas têm dificuldade de concorrer a editais de fomento.

Enquanto 81,7% delas já apresentaram filmes em mostras ou festivais, o que demonstra o reconhecimento de suas obras, 71,7% delas relatam que já desistiram de concorrer a um edital. Os principais motivos são a burocracia (70%), o não atendimento aos requisitos de participação (43%) e a linguagem técnica dos concursos (41%).

Mari Corrêa, idealizadora da rede Katahirine explica que os editais costumam exigir documentos que as cineastas têm dificuldade para fornecer, especialmente as que moram nos territórios.

“Alguns editais exigem que o proponente tenha uma empresa, uma produtora, por exemplo. Não pode concorrer como pessoa física. Isso praticamente elimina a possibilidade de concorrerem ao financiamento”.

É o caso de Larissa Tukano. Ela é cineasta e artista visual, mas diz que não procura editais porque acha a linguagem difícil. “Pedem também uma experiência que não podemos comprovar. E a gente sente que esses concursos não nos contemplam”, diz.

Um outro olhar

Larissa defende o modo de fazer cinema indígena. Ela diz que ao filmar a própria comunidade, esses cineastas têm um olhar diferente, um respeito pelo tempo das pessoas que estão sendo filmadas. “Podemos conversas na nossa própria lingua e isso torna a conversa mais íntima. Também sabemos o que pode e o que não pode ser filmado”, explica.

Mari Corrêa também destaca que o cinema indígena segue a própria lógica de produção.

“Os roteiros não são feitos da forma ocidental de entender um roteiro. A presença do coletivo é muito forte e as decisões são tomadas de modo menos hierarquizado, dentro da comunidade.”

Serviço

O livro Ler o vento, filmar o mundo: pesquisa-mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil , idealizado pela Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas – será lançado nesta quinta-feira, 17 de setembro, as 14h no Cine Brasília, em Brasília.

A entrada é gratuita. No mesmo dia será lançado também o livro Diretrizes para um audiovisual ético com povos indígenas. 

Ver mais


Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Iara Balduino.

Sair da versão mobile