Tecnologia de radar a laser revela estruturas escondidas sob a copa das árvores e reescreve a história pré-colombiana da Amazônia. Um grupo de pesquisadores encontram 396 novos geoglifos no Acre por meio de um estudo publicado na prestigiada revista científica Nature. A descoberta, conduzida por cientistas brasileiros e finlandeses, representa um salto de mais de dez vezes no total de formações conhecidas, somando agora 432 estruturas catalogadas no estado.
As investigações utilizaram a tecnologia LiDAR, um sistema de radar a laser acoplado a aeronaves capaz de mapear a topografia do solo mesmo sob a densa vegetação florestal. Liderado pelo arqueólogo Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque, o levantamento permitiu recalcular a dimensão do povo Aquiry, que teria atingido uma população de 1,25 milhão a 3 milhões de habitantes por volta do ano 200 d.C.
De acordo com os pesquisadores e especialistas da Universidade Federal do Acre (Ufac), as estruturas eram utilizadas para rituais e grandes reuniões sociais. O achado comprova o avançado conhecimento de manejo florestal e engenharia de terraplanagem dessa civilização milenar antes da chegada dos colonizadores europeus, com estimativas de que mais de 20 mil formações ainda permanecem ocultas na Amazônia.


