A distribuição do dinheiro eleitoral dentro do PSD no Acre chama atenção nesta reta final da campanha. De um lado está o senador e candidato à reeleição Sérgio Petecão, que já recebeu R$ 2,8 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Do outro, candidatos do mesmo partido à Assembleia Legislativa aparecem, na prestação de contas consultada, sem repasses do Fundão.
Os R$ 2,8 milhões declarados por Petecão foram transferidos pela Direção Nacional do PSD e representam 100% dos recursos arrecadados por sua candidatura registrados nessa consulta. ContilNet Notícias
Mas o cenário financeiro disponível até agora mostra uma diferença expressiva entre a candidatura majoritária e a chapa estadual.
Enquanto Petecão dispõe de R$ 2,8 milhões provenientes do partido, candidatos a deputado estadual aparecem utilizando valores muito menores provenientes de recursos próprios ou doações.
O vereador de Sena Madureira Maycon Moreira, por exemplo, declarou R$ 12 mil em recursos próprios. Bruna Fernandes, R$ 120 mil também próprios. Antonio Pedro aparece com R$ 23,5 mil provenientes de apoiadores.
Marilete Vitorino declarou R$ 20 mil próprios; Joelso Pontes, R$ 10 mil; Moisés Diniz, R$ 10 mil em doações; Daniel Dorzila, R$ 5 mil; e Yargo Rodrigues, R$ 8,7 mil.
Há ainda candidatos que, segundo a prestação de contas consultada, não apresentavam qualquer receita registrada.
A diferença, por si só, não caracteriza irregularidade.
O TSE estabelece que os recursos do FEFC ficam disponíveis aos partidos depois que suas executivas nacionais aprovam os critérios para distribuição entre as candidaturas. Portanto, não existe uma regra determinando divisão igualitária do dinheiro entre todos os candidatos. Justiça Eleitoral
Isso significa também que não é possível afirmar, apenas a partir desses números, que os R$ 2,8 milhões destinados a Petecão foram retirados dos candidatos à Assembleia.
O que os dados permitem mostrar é a diferença na estrutura financeira registrada até agora.
Politicamente, a fotografia é clara: o PSD colocou milhões de reais do Fundo Eleitoral na candidatura de Petecão ao Senado, enquanto integrantes de sua chapa estadual chegam às últimas semanas da eleição recorrendo ao próprio bolso e a apoiadores.
E dinheiro tem peso operacional numa eleição: financia deslocamentos, equipes, material gráfico, produção audiovisual, publicidade e estrutura de campanha.
A questão que surge dentro dessa estratégia é até que ponto uma nominata proporcional consegue competir em igualdade de condições quando seus candidatos dispõem de estruturas financeiras tão diferentes.
Vale ressaltar que as prestações de contas são atualizadas durante a campanha. Portanto, novos repasses do PSD aos candidatos estaduais ainda podem ser registrados até o encerramento do processo eleitoral.
Até a fotografia financeira consultada, porém, o contraste permanece: Petecão tem R$ 2,8 milhões do Fundão; sua chapa estadual ainda espera aparecer na divisão desse dinheiro.




