O acordo bilionário que vai permitir aos Estados Unidos acessarem 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela, anunciado por Donald Trump na última semana, levantou questões não só sobre o futuro do setor energético do país.
Parte da oposição venezuelana questiona a legitimidade do governo de Delcy Rodríguez, no poder desde o início do ano após a captura de Nicolás Maduro, para firmar um pacto de tamanha importância e impacto.
“Existe uma opinião generalizada de rechaço a esse acordo com os Estados Unidos, fundamentamento na ilegitimidade da presidente interina para firmar nada em nome dos venezuelanos”, afirma o analista político baseado em Caracas Luiz Manuel Aguana, durante conversa com o Metrópoles.
O principal argumento usado pela oposição é o de que o governo venezuelano continua sob domínio do chavismo, ainda que Maduro tenha sido capturado por forças norte-americanas em janeiro deste ano.
“A senhora Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello estão inabilitados para comprometer a riqueza e as reservas de nossa nação unicamente com a ideia de se manterem no poder”, disse Henrique Caprilles, uma das principais figuras da oposição venezuelano, em um comunicado divulgado na rede social X logo após o anúncio do acordo.
O que se sabe sobre o acordo?
- O acordo entre EUA e Venezuela deve durar 25 anos.
- Segundo o governo norte-americano, o investimento privado no setor petrolífero venezuelano deve chegar a casa dos US$ 100 bilhões (mais de R$ 500 bilhões).
- A estimativa é de que 17 campos petrolíferos na Venezuela sejam desenvolvidos, com capacidade de produzir até 65 bilhões de barris de petróleo.
- O governo dos EUA deve operar nos campos por meio de uma associação empresarial, que terá direito a 55% da produção do petróleo extraído.
- Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela, afirma que o país receberá U$ 19 dólares (mais de R$ 98 reais) por cada barril produzido.
- A receita tributária com o petróleo produzido nos 17 campos, informou o governo venezuelano, deve ultrapassar 209 bilhões de dólares.
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Delcy Rodríguez, presidente encarregada da Venezuela
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Delcy Rodríguez, vice-presidente executiva da Venezuela e ministra dos Hidrocarbonetos da Venezuela
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No lugar de Maduro, assumiu Delcy Rodriguez que estabeleceu uma relação direta com o governo Donald Trump
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Delcy Rodríguez, a vice-presidente da Venezuela, assumiu o comando do país após Nicolás Maduro ser capturado pelos Estados Unidos
Drew Angerer/Getty Images
No poder desde janeiro, Delcy Rodríguez assumiu a presidência da Venezuela com base na Constituição do país, que prevê que o vice-presidente deve assumir o governo de forma interina por 90 dias quando o cargo ficar vago.
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do Metrópoles
Seguindo a legislação do país, a Assembleia Nacional da Venezuela prorrogou o mandato de Delcy por mais 90 dias. O prazo final de 180 dias, contudo, expirou em julho deste ano, quando o governo venezuelano deveria ter convocado novas eleições.
Terremotos
No entanto, nenhum movimento neste sentido foi tomado, já que a Venezuela enfrentava as consequências dos dois terremotos que atingiram o país deixando mais de 6 mil mortes e milhares de desaparecidos.
Na mesma época, Trump sinalizou que Delcy continuaria no comando da Venezuela, já que o governo dos Estados Unidos enxergava que o país ainda não estava pronto para realizar novas eleições. O líder norte-americano também classificou o trabalho da presidente interina da Venezuela, que se alinhou aos interesses de Washington, como “fantástico”.
Ainda assim, discussões sobre a possível transição política começaram a ser debatidas entre o governo chavista e a oposição no início deste mês. Após encontros mediados pelos EUA, os dois lados concordaram em iniciar reformas na Venezuela que poderiam abrir espaço para uma mudança política no país caribenho.
Elas começaram por um projeto para modificar o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) do país — equivalente ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. O objetivo da reforma, já em discussão na Assembleia Nacional da Venezuela, é aumentar a participação civil na escolha dos juízes da instância máxima venezuelana.
Os argumentos do governo
Apesar de dar acesso a 65 bilhões de barris de petróleo venezuelanos aos EUA, Delcy Rodríguez chamou o acordo com o governo Trump de “histórico”. E, respondendo a críticas, afirmou que a Venezuela vai manter a “propriedade e soberania” dos recursos do país.
Na visão da herdeira política de Maduro, a parceria busca resolver um problema que o país tem enfrentado nas últimas décadas. Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo, a Venezuela não dispõe de capacidade para explorar o combustível fóssil de forma autônoma.
Neste cenário, os EUA entraria não só com investimentos, mas também com a tecnologia necessária para transformar as reservas em lucro — e a Venezuela em uma “potência energética”, afirmou Delcy Rodríguez em um pronunciamento à nação.
“Tudo isso o que permitirá? Alavancar a recuperação do país, e avançar nas melhorias que todos os venezuelanos queremos, necessitamos e merecemos. Por isso escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos, para transformar nossas diferenças em cooperação, e essa cooperação em investimentos, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”, afirmou a presidente interina da Venezuela.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.




