POLITICA

PF investiga pagamentos de R$ 249 mil a ex-chefe de gabinete de Lula em apuração sobre o INSS

PF apura pagamentos atribuídos a lobista e investiga possível tráfico de influência envolvendo ex-chefe de gabinete de Lula.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

A Polícia Federal (PF) investiga pagamentos que totalizam R$ 249 mil realizados pela empresária e lobista Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola. Os repasses fazem parte de uma nova frente das investigações relacionadas ao suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo informações obtidas durante a investigação, parte dos pagamentos teria sido realizada por meio da quitação de contas pessoais de Marco Aurélio utilizando códigos de barras enviados à empresária, mecanismo que, segundo os investigadores, dificulta o rastreamento direto da origem dos recursos. A Polícia Federal também apura a possibilidade de parte dos valores ter sido entregue em dinheiro em espécie.

Conversas em celular motivaram investigação

Os pagamentos ocorreram ao longo de 2025 e foram identificados após a extração de conversas do telefone celular de Roberta Luchsinger.

Na época dos fatos investigados, Marco Aurélio Santana ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência da República, atuando na antessala do presidente Lula e sendo responsável pelo gerenciamento da agenda presidencial e pela interlocução com ministros do governo.

As informações levantadas pela PF contribuíram para o pedido de abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.

Novo inquérito apura possível tráfico de influência

O novo procedimento investiga se Marco Aurélio Santana teria utilizado sua posição dentro do Palácio do Planalto para praticar eventual tráfico de influência.

Segundo as investigações, Roberta Luchsinger aparece como uma pessoa de forte proximidade com integrantes ligados ao governo e, conforme a apuração, teria atuado em nome de Lulinha em determinadas relações institucionais.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.

Relação entre Roberta e Lulinha também é investigada

A empresária Roberta Luchsinger é apontada como amiga pessoal de Fábio Luís Lula da Silva e de sua esposa, Renata Abreu Moreira.

Em depoimento prestado em maio deste ano, Roberta confirmou que apresentou Lulinha ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeitas relacionadas às fraudes em benefícios previdenciários. Entretanto, ela negou que ambos tenham desenvolvido qualquer atividade conjunta.

As investigações também apontam que a empresária custeou uma viagem da família de Lulinha para a Finlândia, realizada em janeiro de 2025, além de pagar o aluguel de um imóvel de alto padrão utilizado pelo filho do presidente em Brasília.

Defesa afirma que valor corresponde a empréstimo pessoal

Em nota, Marco Aurélio Santana negou qualquer irregularidade e afirmou que os pagamentos correspondem exclusivamente a um empréstimo pessoal concedido por Roberta Luchsinger.

Segundo o ex-chefe de gabinete, a quantia de R$ 249 mil foi posteriormente quitada por meio de transferência bancária.

Na manifestação, Marco Aurélio também informou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça e declarou que pretende apresentar toda a documentação necessária para comprovar a legalidade da operação.

“Jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil”, afirmou em nota.

Investigação continua em andamento

Até o momento, a Polícia Federal trata os fatos como objeto de investigação e busca esclarecer a origem dos recursos, a finalidade dos pagamentos e a eventual participação de cada investigado.

As autoridades ainda não concluíram o inquérito, e não há decisão judicial definitiva sobre as suspeitas apuradas. Os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o andamento do processo.