Os alvos da operação policial deflagrada nessa terça-feira (22/9) não se faziam rogados e circulavam pelas ruas da capital da República a bordo de pomposos carros alemães da marca Audi e BMW. Entre as máquinas utilizadas pelos suspeitos está um SUV X4 que varia aproximadamente de R$ 440.950 a R$ 649.950, além de um Audi A5, que facilmente ultrapassa os R$ 200 mil.
Toda essa ostentação, mantida às custas de fraudes na venda de cartas de consórcio, veio abaixo com a deflagração da Operação Deceptus, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Divisão de Defesa do Consumidor (DDCON/CORF).
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Na ação, os investigadores cumpriram 11 mandados de busca e apreensão contra os investigados — incluindo um casal apontado como operador do esquema que vitimou centenas de pessoas de baixa renda desde 2021 —, resultando na apreensão dos veículos e no bloqueio judicial de R$ 1 milhão das contas bancárias do grupo.
Esquema desmantelado
A derrocada do esquema ocorreu quando os agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais ligados a empresas e operadores do grupo. No topo da pirâmide criminosa, segundo as investigações, está um casal responsável por administrar as empresas e comandar o negócio de fachada.
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O modus operandi do grupo era articulado em etapas bem definidas:
- Atração digital: anúncios tentadores de imóveis eram espalhados pelas redes sociais, oferecendo facilidades de aquisição e entradas reduzidas;
- Abordagem na filial: ao demonstrarem interesse, os clientes eram direcionados aos escritórios da empresa;
- Indução ao erro: no local, os vendedores faziam as vítimas acreditarem que contratavam um financiamento imobiliário tradicional ou adquiriam uma carta de crédito já contemplada. Na prática, assinavam contratos de consórcios convencionais sem garantia de liberação imediata.
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu, nesta terça-feira (22/9), 11 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais vinculados a empresas e pessoas investigadas por supostas fraudes na venda de cartas de consórcio
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Durante as buscas realizadas na residência do casal apontado como responsável pelas empresas, foram apreendidos dois veículos de luxo: uma BMW X4, avaliada em aproximadamente R$ 300 mil, e um Audi A5, estimado em R$ 150 mil
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Entre os materiais apreendidos, os investigadores localizaram ainda scripts contendo roteiros e orientações sobre as abordagens utilizadas pelos vendedores, com frases e argumentos que, segundo a investigação, eram empregados para induzir os clientes ao erro durante a negociação
Divulgação/PCDF
Manipulação
Entre o material apreendido durante as buscas na residência do casal, os investigadores encontraram agendas, eletrônicos e scripts com roteiros de abordagem. Os documentos detalhavam expressões e argumentos manipulativos que os vendedores deveriam memorizar para enganar os compradores e contornar suas dúvidas. Atuando no Distrito Federal pelo menos desde 2021, o grupo acumula centenas de vítimas.
A persistência da prática resultou em uma montanha de ocorrências policiais, processos cíveis e uma enxurrada de queixas em plataformas de proteção ao consumidor na internet. O grupo focava deliberadamente em pessoas de vulnerabilidade econômica e educacional, usando a urgência e o desejo da casa própria para extrair valores com promessas irrealizáveis.
Além dos veículos de luxo recolhidos para ressarcimento dos danos — a BMW X4 e o Audi A5 —, a Justiça do Distrito Federal ordenou o bloqueio das contas bancárias associadas às empresas e aos proprietários. A medida cautelar congelou cerca de R$ 1 milhão.
A PCDF informou que as investigações continuam para mapear a extensão total do prejuízo financeiro e identificar outros possíveis integrantes do esquema.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.




